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Mais que meu amigo, André Felipe de Medeiros é um nome que precisa brilhar (não somente) na nossa Galeria Atelliê. Já falamos sobre ele algumas vezes por aqui e hoje suas palavras vieram apresentar pra vocês Grief, um de seus photo projects. E se você também quer mostrar o seu trabalho que use fotografia de um modo criativo para o MundoAtelliê na Galeria Atelliê entre em contato com a gente.
Criatividade, passe adiante.
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..........Grief foi um desses trabalhos que brotaram de mansinho na mente e lá ele permaneceu em silêncio por meses, desde que um dia – diversos meses antes das fotos – ao ler sobre o modelo Kübler-Ross para o luto, comecei a vislumbrar suas possibilidades de representação em um ensaio conceitual. De tempos em tempos, um elemento era agregado, a começar pelo preto e branco, passando pelo formato de um dos seus 5 passos por fotografia, até chegar na decisão/ousadia de fazê-lo em auto-retratos. A quietude da idéia era quase um câncer que ninguém percebeu e foi crescendo, crescendo e, numa tarde sem muito trabalho, desci até o jardim quase num impulso, com o figurino montado espontaneamente baseado na cor preta e no crucifixo, presentes no nosso imaginário cultural para facilitar a assimilação do tema. Não fiz as fotos em ordem, fui montando os quadros pensando o corpo no espaço e as poses vinham resultantes desse processo. A negação (denial) é próxima, sem medo de encarar a câmera sem muita expressão. Sabia que não atuaria bem o suficiente para a raiva (anger), daí a opção de não mostrar meu rosto. Sempre tive a raiva como uma explosão, então a foto teria que ser a mais fora de controle de todas, mas acabou formando as linhas mais bem compostas com a pequena árvore no fundo. A negociação (bargaining) precisava ser sincera, precisava mostrar os pés descalços e a disposição de vestir o clichê e invadir o plano, tamanho o desespero da situação. Para a depressão (depression), tive que usar o mesmo artifício da má-atuação e esconder o rosto, apelar para o mínimo revelado pelas mãos e o isolamento do primeiro plano, quis me confundir com o fundo ao mesmo tempo que as linhas se convergem justamente no corpo, revelando-o. A aceitação (acceptance) não vem feliz, não vem com a força conquistada pelo processo e a sensação de estar “pronto para outra”, mas vem pela desistência, pela exaustão de cada um desses passos frente à vida normal. Grief não me foi catarse, mas parte do meu processo de cansaço. Dele levo a sensação de ver minha idéia ter tomado forma e as marcas de amora na minha calça, carimbos de uma tarde quente de outubro no jardim do meu prédio.
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contato: atellie@atelliefotografia.com.br

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À Beira do Mar Aberto foi um experimento arriscado e facilmente envergonhativo, realizado sem planejamento prévio na minha última semana de férias. Eu e Marcus Vinícius, o modelo, não nos conhecíamos mais do que alguns dois ou três recados via orkut e munidos apenas de uma mala de roupas e um kajal decidimos nos encontrar pela primeira vez momentos antes do sol se pôr, a hora mágica da fotografia, e se aventurar em um photoshooting.
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O título da sessão veio de uma das crônicas de mesmo nome do fantástico Caio Fernando Abreu e eu achei que todo o drama daquelas palavras foram igualmente (modéstia) retratados pelo drama que eu consegui alcancar com o resultado de: luz mágica, perspectivas duvidosas e uma maquiagem (?) mais duvidosa ainda. Não tentem imaginar a reação das pessoas vendo uma miniatura de fotógrafa e um jovem maquiado vagando pelo parque enquanto as criancinhas faziam seus passeios de férias. Não tentem. Trocando em miúdos, deixo vocês com o release oficial (?) da série e os excertos do texto de Caio.
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“Um diálogo entre a sombra e a luz, elementos indispensáveis para a composição de uma fotografia e de uma personalidade. As fotografias que compõem À Beira do Mar Aberto apresentam retratos da luz emoldurada; luz do sol, emoldurada pelas sombras das árvores ao entardecer, luz dos olhos, emoldurada pelas sombras e pesos enraizados em qualquer personalidade humana. Será necessário que o leitor destas imagens participe deste diálogo e entre em contato consigo mesmo e com sua própria dosagem de sombras, medos e prostrações, para definir se a atitude do olhar do personagem que olha sempre à frente e ao sol é de receio ou desbravamento. Será necessário que cada leitor ponha-se à beira de seu próprio mar, aberto de possibilidades, e decida enfrentá-lo, tomando por coragem o brilho dos olhos, ou apenas fitá-lo com timidez acreditando que é mais forte que o brilho, as sombras escuras que servem de moldura aos mesmos olhos.”

"...e novamente me tomas e me arrancas de mim me desguiando por esses caminhos conhecidos onde atrás de cada palavra tento desesperado encontrar um sentido, um código, uma senha qualquer que me permita esperar por um atalho onde não desvies tão súbito os olhos, e parado aqui do teu lado, sem que me vejas, lentamente afio as pedras e as facas do fundo das minhas pupilas, para que a noite não me encontre outra vez insone."

"...mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece."

"...talvez tenha (te) inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas."

"...Me enveneno mais quando não vens e ninguém então me sabe parado feito velho num resto de sol de agosto, escurecido pela tua ausência."

"...o vento e novamente o vento que bate em teu rosto, esse mesmo que não me olha agora, raramente, teu olho bate em mim e logo se desvia, como se em minhas pupilas houvesse uma faca, uma pedra, um gume, teu rosto mais nu que sempre, à beira-mar, com esse vento a bater e a revolver teus cabelos e pensamentos."

"... E lentamente caio cada vez mais fundo e já não consigo voltar à tona porque a mão que me estendes ao invés de me emergir me afunda mais e mais enquanto dizes e contas e repetes essas histórias longas, essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba assim nem agora nem aqui."

"...E de novo então te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida."
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Espero que vocês gostem, Atelliê.
Caso deseje enviar dúvidas, sugestões, comentários, críticas, beijinhos ou depósitos bancários: livia@atelliefotografia.com.br
Boa Sexta, dear all.
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Bom dia, Atelliétes. Como boa Segunda-Feira, começaremos uma experiência nova por aqui e, acredite, não é uma dieta. Mais que uma vitrine para o nosso trabalho, o blog do Atelliê tem sido um espaço onde você é bombardeado com curiosidades e atualidades do mundo cultural ligado à Fotografia e sempre recheado com, além dos nossos trabalhos diários, diversas e variadas fontes que nos matam de inspiração dia após dia. O blog do Atelliê tem sido narrado há mais de um ano por três mentes bonitinhas e prolixas e, salvo em dias da nossa entrevista: Cinco Minutinhos de Atelliê, é só a gente que fala por aqui. Então, chegou a hora de você falar também. Está aberta a Galeria Atelliê
Tem um projeto legal que envolva fotografia de forma criativa?? Entre em contato com a gente para mais detalhes e o seu trabalho pode ser publicado aqui para todo o mundoAtelliê ficar sabendo: atellie@atelliefotografia.com.br
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Para estreiar a Galeria Atelliê, temos o prazer de apresentar a nossa amiga e conterrânea Natália Paiva. Nat é estudante de Artes Plásticas e dona de uma camiseteria (super mara) aqui em Uberlândia. Sem mais falatório, com vocês:
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..........Sempre fui interessada por fotografia e, dentro das artes plásticas, é uma das ferramentas que eu mais utilizo, pela sua praticidade e universalidade. O projeto Roupa para objeto, apresenta indagações entre moda, arte e a própria roupa. Qual a função da roupa? Qual a função da roupa na sociedade?
..........A proposta do trabalho é tirar da roupa, a verdadeira função que ela tem, para assim, criar um pensamento mais atento e menos acostumado, do que é realmente a roupa para nós, e o que ela representa. A roupa nada mais é do que proteção. Proteção contra o frio, calor, chuva, ou sol. Proteção ao meio em que se vive. Ao longo dos anos, a roupa foi ganhando outros significados, mas a sua priori, a sua primeira função, era a de proteger o nosso corpo. Partindo dessa idéia, elaborei roupas, para coisas que não precisam delas. Roupas para objetos. Seres inanimados e não humanos não têm a menor necessidade de usarem roupas para de protegerem, se exibirem, ou simplesmente estarem na moda. E isso traz em discussão o porquê da roupa. Além disso, também traz uma segunda idéia: um olhar diferenciado pro objeto em questão utilizando roupa.
..........Um objeto comum do dia-a-dia pode receber um olhar mais atento se estiver revestido ou vestido de forma inusitada ou diferente do que se vê todos os dias? Isso pode trazer uma reflexão sobre sua forma e além disso, pode trazer uma certa humanização do objeto, colocando-o num papel mais importante do que ele realmente tem de origem?
..........É isso que eu tento questionar com as minhas fotos.
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contato: atellie@atelliefotografia.com.br