À Beira do Mar Aberto.

Rabiscado por lívia.fernandes em 06/08/2010

 

À Beira do Mar Aberto foi um experimento arriscado e facilmente envergonhativo, realizado sem planejamento prévio na minha última semana de férias. Eu e Marcus Vinícius, o modelo, não nos conhecíamos mais do que alguns dois ou três recados via orkut e munidos apenas de uma mala de roupas e um kajal decidimos nos encontrar pela primeira vez momentos antes do sol se pôr, a hora mágica da fotografia, e se aventurar em um photoshooting.


O título da sessão veio de uma das crônicas de mesmo nome do fantástico Caio Fernando Abreu e eu achei que todo o drama daquelas palavras foram igualmente (modéstia) retratados pelo drama que eu consegui alcançar com o resultado de: luz mágica, perspectivas duvidosas e uma maquiagem (?) mais duvidosa ainda. Não tentem imaginar a reação das pessoas vendo uma miniatura de fotógrafa e um jovem maquiado vagando pelo parque enquanto as criancinhas faziam seus passeios de férias. Não tentem. Trocando em miúdos, deixo vocês com o release oficial (?) da série e os excertos do texto de Caio.

 

À Beira do Mar Aberto — por Lívia Fernandes.

“Um diálogo entre a sombra e a luz, elementos indispensáveis para a composição de uma fotografia e de uma personalidade. As fotografias que compõem À Beira do Mar Aberto apresentam retratos da luz emoldurada; luz do sol, emoldurada pelas sombras das árvores ao entardecer, luz dos olhos, emoldurada pelas sombras e pesos enraizados em qualquer personalidade humana. Será necessário que o leitor destas imagens participe deste diálogo e entre em contato consigo mesmo e com sua própria dosagem de sombras, medos e prostrações, para definir se a atitude do olhar do personagem que olha sempre à frente e ao sol é de receio ou desbravamento. Será necessário que cada leitor ponha-se à beira de seu próprio mar, aberto de possibilidades, e decida enfrentá-lo, tomando por coragem o brilho dos olhos, ou apenas fitá-lo com timidez acreditando que é mais forte que o brilho, as sombras escuras que servem de moldura aos mesmos olhos.”

À Beira do Mar Aberto.

À Beira do Mar Aberto.

...e novamente me tomas e me arrancas de mim me desguiando por esses caminhos conhecidos onde atrás de cada palavra tento desesperado encontrar um sentido, um código, uma senha qualquer que me permita esperar por um atalho onde não desvies tão súbito os olhos, e parado aqui do teu lado, sem que me vejas, lentamente afio as pedras e as facas do fundo das minhas pupilas, para que a noite não me encontre outra vez insone.

"…e novamente me tomas e me arrancas de mim me desguiando por esses caminhos conhecidos onde atrás de cada palavra tento desesperado encontrar um sentido, um código, uma senha qualquer que me permita esperar por um atalho onde não desvies tão súbito os olhos, e parado aqui do teu lado, sem que me vejas, lentamente afio as pedras e as facas do fundo das minhas pupilas, para que a noite não me encontre outra vez insone."

 ...mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece.

"…mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece."

...talvez tenha (te) inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas.

"…talvez tenha (te) inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas."

...Me enveneno mais quando não vens e ninguém então me sabe parado feito velho num resto de sol de agosto, escurecido pela tua ausência.

"…Me enveneno mais quando não vens e ninguém então me sabe parado feito velho num resto de sol de agosto, escurecido pela tua ausência."

...o vento e novamente o vento que bate em teu rosto, esse mesmo que não me olha agora, raramente, teu olho bate em mim e logo se desvia, como se em minhas pupilas houvesse uma faca, uma pedra, um gume, teu rosto mais nu que sempre, à beira-mar, com esse vento a bater e a revolver teus cabelos e pensamentos.

"…o vento e novamente o vento que bate em teu rosto, esse mesmo que não me olha agora, raramente, teu olho bate em mim e logo se desvia, como se em minhas pupilas houvesse uma faca, uma pedra, um gume, teu rosto mais nu que sempre, à beira-mar, com esse vento a bater e a revolver teus cabelos e pensamentos."

... E lentamente caio cada vez mais fundo e já não consigo voltar à tona porque a mão que me estendes ao invés de me emergir me afunda mais e mais enquanto dizes e contas e repetes essas histórias longas, essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba assim nem agora nem aqui.

"… E lentamente caio cada vez mais fundo e já não consigo voltar à tona porque a mão que me estendes ao invés de me emergir me afunda mais e mais enquanto dizes e contas e repetes essas histórias longas, essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba assim nem agora nem aqui."

...E de novo então te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida.

"…E de novo então te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida."

 

Caso queira enviar dúvidas, sugestões, comentários, críticas, beijinhos ou depósitos bancários: livia@atelliefotografia.com.br

Espero que vocês gostem, Atelliê.

 

2 Comments »

  1. avatar
    Lali 06/08/2010 at 08:12 - Reply

    ownnnnnnnnnnnnnnnn…….série linda!

  2. avatar
    Thais Caroline 07/04/2011 at 23:19 - Reply

    Perfect!

Dê sua opinião! »