Quando a Lívia me convidou para entrevistar o Adam Elmakias, eu estava no meio de um dia super corrido e fui lendo a pauta e pesquisando sobre ele aos pouquinhos ao longo de várias horas, até ele me chamar no Skype tarde da noite (culpa do fuso horário entre o Sudeste brasileiro e a Califórnia). Quanto mais eu via de suas fotos, mais eu pegava empatia por algumas bandas que não conheço e por outras que nem gosto muito, mas em suas fotos eu via a intimidade que ele estabelece com os músicos — deixando todos muito à vontade — e os quadros cheio de energia e movimento que ele constrói ao vivo. A conversa foi muito divertida, daquelas que geram uma empatia instantânea, de criar piadas internas e descobrir conhecidos em comum já no primeiro contato — e foi aí que eu comecei a entender a maneira que ele trabalha, com a sinceridade e o pique de quem tem 22 anos e um talento já maduro, ainda que continue crescendo.

Abaixo vocês podem conferir algumas imagens do portfolio de Elmakias e como se desenrolou o nosso bate-papo. A outra parte desta entrevista, onde o fotógrafo me contou como é sua experiência de partir pra estrada com as bandas, está disponível neste link no Música Pavê.

 

Atelliê Fotografia: Como você começou a fotografar?

Adam Elmakias: Eu comecei no colégio, eu fazia retratos para o yearbook, fiz umas fotos e coloquei na galeria da escola. Daí, o orientador educacional da escola me falou “ei, você deveria fotografar mais”, e ele me apresentou à fotografia. Comecei a estudar online e eu ia em muitos shows, então a escola me emprestou uma câmera para levar. Depois, eu usei meu dinheiro da faculdade para comprar uma pra mim, continuei fotografando shows, fiz amizade com algumas bandas e acabei fazendo ensaios com elas, depois turnês e a coisa cresceu daí.

 

Atelliê: E por que você escolheu trabalhar com fotografia de música?

Elmakias: Bem, todo mundo quer estar em uma banda, é uma coisa legal, quando eu era mais novo eu queria conhecer os músicos e tal, então eu comecei a fotografar os shows como uma maneira de conseguir isso, mas daí eu comecei a amar a fotografia e amo até hoje (risos).


 

Atelliê: O que você mais gosta ao fotografar shows?

Elmakias: Olha, no começo eu odiava (risos). Eu gostava, depois não gostava mais e queria fotografar só as fotos promocionais das bandas. É que demorou muito pra eu aprender a apreciar a fotografia, os instantes, os momentos, e a ficar emocionalmente envolvido com as imagens. Eu pensava “como me relacionar emocionalmente, é só uma foto?”, mas agora eu amo fotografia. Então, acho que o que eu mais gosto de fotografar nos shows é que você não controla o que você vai fotografar, mas você controla como você fotografa. É legal, você tem que ver bem o que vai fazer, como vai fazer, e se esforçar para conseguir a melhor imagem, mesmo que no final eu não tenha tanto controle sobre a situação. É um desafio divertido.

 

Atelliê: Como você define seu estilo?

Elmakias: Bem, acho que defino como…. Nítidas, sólidas, não sei, estas são palavras que me vem à mente. Eu gosto que as fotos sejam fáceis de entender, sabe? Quando eu olho pras minhas fotos, se alguma me chama a atenção em poucos segundos, eu sei que ela é boa, e se ela não me conquistar, eu apago. Eu amo fotos que tenham um bom equilíbrio e em que eu goste de tudo nelas. Se uma foto tem alguma coisa que eu não gosto, eu nem publico.

 

Atelliê: Tem uma banda, ou artista, que você adoraria fotografar, mas ainda não teve a chance?

Elmakias: Eminem!

Atelliê: Por quê?

Elmakias: Primeiro de tudo, eu ouvi muito ele na minha adolescência, achava ele louco e divertido, e também o rosto dele é ótimo! (risos) Ele tem o rosto mais legal do mundo, dá pra ver todos os ossos dele. Acho que seria muito legal fotografá-lo.

 
 

Atelliê: Se você tivesse que escolher um outro fotógrafo pra fazer um retrato seu, quem seria?

Elmakias: Não faço ideia! (risos) Eu não acompanho o trabalho de muitos fotógrafos e os que eu acompanho são meus amigos e eu gosto do trabalho deles. O cara que eu gostaria que me fotografasse já fez isso, porque é um dos meus amigos, e foi ótimo. Mas eu não sei, não conheço muitos fotógrafos pra escolher um. Colin Hughes foi o cara que me fotografou e eu adorei. E acho que o Aaron Nace seria legal, porque ele faz uns ótimos autorretratos e seria legal ver o que ele faria comigo, talvez me penduraria com alguns lagartos, não sei. Eles faz fotos muito legais.

Adam Elmakias, por Colin Hughes

 

Atelliê: Conta pra gente das suas lens bracelets (pulseiras de lentes), elas fazem muito sucesso, né?

Elmakias: Sim, elas ainda vendem bem. Originalmente, eu fiz umas 100 que eu não iria vender, apenas dar para alguns amigos como um cartão-de-visitas, daí as pessoas começaram a gostar e querer mais. Então, eu fiz uma loja online bem simples, vendi umas e distribuí outras, fiz mais alguns designs e o Photojojo divulgou, daí o negócio “explodiu”. No dia seguinte, 70 das vendas foram pra outros países.

Atelliê: Fiquei sabendo que você vai lançar um DVD, é verdade?

Elmakias: Sim, vai sair… em breve (e eu estou falando isso já faz um ano, acho). Estamos finalizando, é um disco triplo chamado The Music Photographer (“O Fotógrafo de Música”), o primeiro disco é sobre a Indústria, o segundo é sobre fotografar e o terceiro, sobre edição e tratamento. Cada um fala sobre como eu faço o que eu faço e é basicamente tudo o que eu sei colocado em um disco.

 

Atelliê: Percebi no seu Flickr que você tem usado muito o Instagram, né?

Elmakias: Bem, o Flickr já era. Ele está em algum lugar hoje junto com o MySpace e ninguém mais usa. Talvez algumas pessoas ainda estejam ativas, mas não muitas. Eu não queria mais usar, mas não queria apagar minha conta, então eu linkei com meu Instagram e minhas fotos são postadas lá. Essas novas redes sociais com fotos estão tomando conta da Internet, as fotos que você tira com um iPhone são ótimas, alguém estava até comentando comigo outro dia que as fotos que faz com o telefone já suprem a necessidade de registrar uma viagem, por exemplo.

via Instagram

via Instagram

 

Atelliê: Por último, a gente ainda está em janeiro, então ainda podemos perguntar: Quais são seus planos para 2012?

Elmakias: Não quero marcar muito trabalho no primeiro semestre, quero poder trabalhar melhor no lançamento do DVD e em novas pulseiras, quero aprender coisas novas, melhorar como fotógrafo (sinto que eu me acomodei nesse último ano), aí sair em turnê com alguém no segundo semestre. Quero ir ao Brasil, fazer alguns trabalhos por aí, tenho um amigo em São Paulo agilizando as coisas e espero que role.

 

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