Alejandro Annicharico é uma daquelas pessoas de quem eu não me lembro ao certo como fiquei amigo, mas me sinto cada vez mais honrado por conhecer e ter contato com alguém tão talentoso. Seu trabalho me faz cair o queixo há alguns anos, são retratos que conseguem traduzir excessos mesmo com o mínimo, com dinamismo e força até mesmo nos quadros com cores opacas em um fundo infinito branco. Aliás, é essa maneira com que ele trabalha as cores que mais me impressiona. Como um aquarelista, ele encontra os brancos e os espaços incolores em cada uma de suas imagens, em composições que passeiam pelo mundo editorial e a arte pessoal. Por falar nisso, ele está trabalhando em um super projeto meio secreto e que promete dar ainda mais reconhecimento a ele dentro e fora da Colômbia, seu país natal. Veja só o que ele contou com exclusividade pro Atelliê Fotografia.
Atelliê Fotografia: Como está seu trabalho hoje?
Alejandro Annicharico: Ando produzindo a terceira parte de meu trabalho artístico, já estou produzindo há dois anos. Creio que, em meados deste ano, o projeto finalmente verá a luz do dia. Julho ou agosto, suponho. Enquanto isso, faço editoriais de moda para revistas da Colômbia e alguns outros países da América Latina. Mas, na verdade, a prioridade agora é terminar de uma vez a terceira parte do meu projeto de arte, tem sido um processo longo… Isso me deixa ansioso, já que são muitas fotos novas, as quais mostrarei simultaneamente [pela primeira vez] em um só dia.
Atelliê: Você pode falar mais desse projeto artístico?
Annicharico: Creio que é um dos projetos mais emocionantes de minha vida até agora. Tem tomado vida própria com o passar dos dia, dos meses. Estas fotos que mostrarei representam a emancipação dos meus medos e temores, vou mostrar a parte mais sórdida de Alejandro Annicharico. Se realmente querem me conhecer um pouco mais como ser humano, terão que tentar entender essas fotos. Ao menos é o que eu estou tentando fazer. E, claro, a forma com que eu mostrarei isso tudo é bastante emocionante. Quero que faça por merecer o tempo gasto.
Atelliê: Essas novas fotos vão romper esteticamente com o que você tem feito até agora ou o desafio é deixar as novidades para o tema tratado?
Annicharico: A ideia, desde o primeiro dia, foi representar uma evolução. A pessoalidade, suponho, vai sempre estar ali, já que são fotos minhas, feitas por mim de uma forma sincera. Mas eu diria que sim, tem um desejo secreto de romper com a estética do que eu mostrei até agora. Fico entediado só de pensar em fazer sempre a mesma coisa, somos seres mutáveis, acho suponho que precisamos disso.
Atelliê: E de onde saiu a ideia de fazer algo assim?
Annicharico: A necessidade de me expressar.
Atelliê: O mesmo motivo que te fez começar a fotografar?
Annicharico: (risos) Suponho que sim.
Atelliê: Como você escolhe a forma que vai compor suas fotos com as cores?
Annicharico: Sempre se dá de forma natural. Flui. Não há uma razão muito lógica. Me aborrece ter que planejar muito as coisas.
Atelliê: E quais foram seus trabalhos que você mais curtiu até agora?
Annicharico: Gosto de todos de uma forma particular. Na realidade, não consigo medir isso, mas consigo me lembrar agora da capa da revista Cartel Urbano de dezembro de 2010.
Atelliê: O que te inspira?
Annicharico: Muitas coisas: A vida, o mundo, cinema, música, a rua, o cotidiano, o amor.
Atelliê: Por que fotografar pessoas?
Annicharico: Para poder capturar emoções, personalidades. Todas as pessoas produzem uma sensação diferente! Poder fotografar esse momento íntimo e pessoal de alguém e interpreta-lo com minha câmera me parece uma grande sorte.
Atelliê: E como é a relação que você estabelece com os modelos? Às vezes é um trabalho que gera bastante intimidade, né?
Annicharico: Sempre se estabelece uma relação diferente. Na verdade, não poderia entender com exatidão como é a comunicação que surge com os modelos no momento de fazer uma foto. Muitas vezes surgem histórias, combinamos parâmetros, ou outras vezes tudo surge de uma forma espontânea.
Atelliê: Quanto de você tem nos retratos que você faz das outras pessoas?
Annicharico: Muito, já que a maior parte dos meus trabalhos mostra as coisas com as quais eu mais me identifico, o que sinto de mais pessoal.
Atelliê: Como é para você fazer autorretratos?
Annicharico: Os autorretratos me divertem, eu posso brincar comigo mesmo. Brinco de ser o que sou em meus sonhos, ser algo que nunca fui antes.
Atelliê: E o que você será daqui pra frente?
Annicharico: Tenho muitos planos, sinto que este será um dos anos mais decisivos da minha carreira, que vai definir muitas coisas. Tenho planos de ir à São Paulo, realizar alguns trabalhos por lá. Mas isso eu contarei outra hora.






















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