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Entrevista: Thais Vandanezi

Fico muito feliz quando tenho oportunidade de entrevistar alguém com muito talento e com tão pouca idade. Isso sempre me traz uma sensação de renovação e continuidade da fotografia. Thais Vandanezi é um desses casos que me faz admirar ainda mais esta arte, embora confesso, a fotografia de moda não seja minha área favorita. E isso é o mais bonito. Não importa o segmento, fotografia boa é o que conta.

Em uma conversa super franca, Thais revela como se tornou fotógrafa e quais os caminhos que percorreu até ter seu trabalho reconhecido no exterior. Fala sobre o mercado no Brasil e de como ela tenta — com sucesso — fugir dos padrões muitas vezes engessados da moda. Gostando ou não da fotografia de moda, conhecer o trabalho dessa fera é obrigatório.

Atelliê Fotografia: Conta pra gente um pouco sobre você e como você se transformou em uma fotógrafa?
Thais Vandanezi: Meu primeiro contato com a fotografia foi quando estudei Artes e Design, na Universidade Federal de Juiz de Fora. No curso tive várias matérias que envolviam principalmente as artes plásticas, uma das matérias era fotografia, porém nessa época eu nem imaginava que iria, futuramente, trabalhar diretamente com isso. A fotografia nessa época passou despercebida.

Um pouco depois fui estudar Arquitetura e Urbanismo na mesma instituição, era um curso bem interessante que me trouxe muitos frutos, mas que me fez principalmente despertar para o meu lado mais sensível. Foi nessa fase que comprei uma Nikon mais simples, a D3100 e comecei a clicar. Primeiro, como quase todo mundo. Trabalhos desprendidos, sem muito objetivo. Era divertido poder criar imagens sem ter compromisso, porque como sempre trabalhei com criação de imagem, as vezes isso se tornava uma obrigação. Mas na fotografia não. Eu não tinha pretensão de ser fotógrafa a priori.

A ideia de trabalhar com isso, surgiu quando começou a naturalmente aparecer uma demanda de trabalho. Eu ainda estava na faculdade de Arquitetura, acho que no sexto período, e foi legal poder ganhar dinheiro fazendo o que eu tinha como hobby.

Então resolvi estudar mais fotografia, fiz alguns cursos de técnica, iluminação de estúdio, iluminação avançada para moda, tratamento de imagem. Fiz cursos também para compreender melhor a linguagem de moda, de produção de moda e também voltados para direção de Arte, na Miami Ad School. Sempre leio sobre fotografia, equipamentos, novos e antigos fotógrafos. E busco referências diariamente, acho que foi de uma forma bem orgânica que me tornei fotógrafa. Antes mesmo de concluir a faculdade de Arquitetura me mudei para São Paulo e comecei a clicar para agências de modelo daqui. Faz um ano que moro em SP e aqui o terreno é muito fértil para quem tem vontade de crescer e desenvolver um trabalho legal.

Making Of campanha RCA Summer 2015

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Atelliê: Como se deu sua escolha pela fotografia fashion e como você procura se diferenciar em um mercado como este – tão competitivo e, por vezes, até repetitivo?
Thais: Quando comecei a fotografar era nítido que meu olhar era mais voltado para retratos, porém eu não queria desenvolver o trabalho de retratar as pessoas como elas realmente eram. Eu sempre inventava um personagem e ia desdobrando as imagens a partir dele. Acabei encontrando na moda uma maneira de desenvolver isso e ainda poder ter algum lucro nas fotografias que eu criava. A ideia era juntar tudo aquilo que eu havia estudado nos cursos anteriores e poder criar imagens que misturassem isso.

O mercado de moda realmente é bem competitivo, como já dito, por vezes repetitivo sim. Porém, como sempre trabalhei dentro da área de criação, posso dizer que das vertentes que já fiz parte, todas são assim. A grande questão hoje em dia é como sair dessa monotonia criativa! A competitividade, o próprio mercado vai dizer quem está preparado ou não. Quem será a “boa da vez”. Não é preciso ficar com o olho na grama do vizinho… acredito realmente que as pessoas podem se ajudar mais, inclusive dentro do mercado de trabalho.

Eu busco sempre criar novos Editoriais e o que me ajuda muito é fazer pesquisas diariamente. Eu separo as imagens por pastas e com isso, cada pasta vira uma história nova. Quando tenho oportunidade de clicar ela, não a perco.

Acho que o segredo é tentar produzir sempre. Principalmente trabalhos autorais, que permitem que a imaginação vá mais longe.

 
Atelliê: Percebo em suas imagens uma tentativa de desconstrução do óbvio, com pinceladas coloridas na pós-produção, riscos de contorno no corpo das modelos, objetos pouco convencionais do cotidiano etc. Onde você busca inspiração para estas intervenções artísticas? Você acredita que há mais espaço para essa linguagem na fotografia fashion?
Thais: Essas referências, vem muito das artes plásticas. Eu pesquiso diariamente imagens criativas que tanto podem ser pinturas, escultura, design gráfico, revistas, aliás, gosto muito do mercado editorial, porque eles ousam bastante na maneira como eles se mostram, não revistas comerciais, mas revistas um pouco mais conceituais. Na verdade, acredito que para trabalhar com produção de imagem é preciso ficar se contaminado com grande frequência de diversos conteúdos, tanto visuais, como palatáveis aos outros sentidos.

Se essa linguagem tem muito espaço no mercado fashion não saberia dizer. O que posso afirmar que é um tipo de imagem que eu acredito e que me representa.

Editorial Slave exclusivo para a PUSH IT MAGAZINE

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Atelliê: Olhando seu portfólio, o trabalho com mulheres é muito maior do que com os homens ou crianças. É simplesmente por questões editoriais ou você tem maior facilidade com as meninas?
Thais: Na realidade esse fenômeno é apenas uma fatalidade. Aparecem mais trabalhos dentro dese perfil então o portfólio acaba ficando um pouco mais voltado para isso. Mas esse ano pretendo fazer mais trabalhos masculinos e principalmente voltados ao público infantil, que é algo que adoro fazer.

 
Atelliê: Notamos também que a sua fotografia já alcançou voos internacionais, como é esta experiência? Existe alguma diferença notável em relação aos trabalhos daqui?
Thais: Foi muito legal poder ver qual era a capacidade de alcance do meu trabalho. Porque produzimos as fotos, mas a comunicação só é finalizada quando essa imagem é recebida, é vista. Então, se ela é recebida tanto aqui, quanto em outros países, significa que o objetivo foi alcançado. Isso gera muita satisfação e motivação para criar novos trabalhos.

Na verdade, a diferença que vejo é mais na linguagem que é mais aceita aqui ou mais aceita em outros países. Porque cada lugar e inclusive cada tipo de trabalho, vai ter uma paleta de cores, que se adequa melhor, uma luz, um posicionamento que o modelo deve seguir, enfim uma identidade que se adequa melhor. Mas isso não pode influenciar na sua linguagem como profissional, o ideal é tentar juntar os dois.

No Brasil temos trabalhos incríveis sendo desenvolvidos, e fora também. A diferença que eu vejo entre um e outro são mais questões estéticas, opções técnicas e linguagem. Mas isso é super normal, essas diferenças acontecem com distâncias muito menores. A grande diferença que vejo, é na dificuldade de se obter bons equipamentos aqui.
Isso realmente é algo que deveria ser melhorado.

 
Atelliê: Com apenas 27 anos você já conquistou muita coisa. O que você aprendeu até aqui com sua profissão e quais ensinamentos você pode passar para os futuros fotógrafos e fotógrafas?
Thais: Ah! Na verdade ainda quero desenvolver muito mais meu trabalho. Estou apenas começando, e carrego sempre essa sensação de que posso melhorar. As vezes isso parece um pouco duro porque eu sempre vejo os defeitos, mas não deixo de ficar feliz com as coisas boas que já fiz. Aprendi muito sim com a fotografia, principalmente porque é uma profissão que dificilmente o profissional será fixo, a grande maioria tem um trabalho mais orgânico.

Então é preciso ter muito disciplina e organização, senão acaba perdendo o foco, perdendo investimento (tanto financeiro, como de energia) e clientes, enfim, gerando diversos transtornos. Uma coisa importante é tentar cuidar da saúde. É uma profissão sem rotina, então acabamos tendendo a nos cuidar um pouco menos. E por fim, é claro, estudar sempre. Não é pensar em investir só em equipamentos. Os equipamentos não trabalham sozinhos, o mais importante é saber manusear bem as ferramentas, aprimorando o lado técnico e estudar muito a parte conceitual, criando uma linguagem sua, que te caracterize como profissional. Ah! E não durma no ponto! rs Tem que clicar sempre, só assim vai poder errar, acertar, errar, acertar, atém que o numero de acerto fique cada vez maior e você fique seguro para se vender como um profissional.

Editorial Punk exclusivo para Revista Catarina

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Editorial Avec para Julieta Mag

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Editorial de beleza exclusivo para BLOG Invoga

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