Na última semana tive o prazer de entrevistar o fotógrafo britânico Felix Kunze com exclusividade para o Atelliê. Dono de um portfolio impressionante, Felix nos contou como a fotografia, inicialmente uma aposta de sorte, foi capaz de modificar a sua vida e o seu olhar até tornar-se a grande paixão da sua vida.
Grande dose de inspiração para começar bem a semana,
Boa leitura, Atelliê.
Você sempre trabalhou com fotografia, Felix?
Não, eu descobri a fotografia porque eu estava completamente desmotivado com o meu trabalho anterior. Um dia eu percebi que aquilo não iria me proporcionar mais nenhum tipo de prazer e fotografar foi a opção que me restou de imediato. Foi algo que eu sempre gostei de fazer e então resolvi arriscar. Você não imagina o quanto eu fiquei surpreso quando as pessoas começaram a me perguntar quando poderiam me contratar. Desde este momento eu comecei a me preparar melhor e hoje cheguei até aqui e, preciso confessar: agora estou completamente feliz e apaixonado por isso. Já fazem alguns anos que eu tenho dedicado minha vida à fotografia e eu não tenho dúvida de que é fotografar que eu quero pro resto da minha vida.
Como aconteceu essa paixão?
Fotografar é um trabalho que oferece cada dia mais oportunidades desafiadoras e enfrentá-las de forma positiva é sempre mais um degrau que você sobe na construção da sua carreira e da sua imagem. Fico feliz de olhar para o meu portfolio e perceber que hoje em dia essas oportunidades aparecem com uma frequência bem maior e eu fico cada vez mais satisfeito com os meus resultados. Mas, nem por isso, me peça para nomear uma das minhas fotos favoritas, é sempre um estudo focado em criar a minha próxima favorita.
Quem você escolheria como uma grande influencia e referência nesta sua busca constante pela próxima favorita?
Thorsten Overgaard tem sido uma influencia e tanto no meu trabalho, mas eu diria que Annie Leibovitz é e sempre será a minha maior referência, talvez pelo grande tempo que eu passei estagiando no seu estúdio.

Rihanna por Annie Leibovitz
Observando o seu portfolio é possível identificar linhas diferentes da fotografia. Você já trabalhou com fotografia de palco, moda, retratos… qual desses alimenta mais a paixão que você citou anteriormente?
Pessoas, minha paixão é por pessoas. Teve uma época que eu me esforcei pra descobrir exatamente isso, descobrir qual era a minha “coisa”, sabe? E por mais que eu tentasse fazer algo completamente diferente, as pessoas sempre estavam envolvidas. Meu trabalho no Haiti, os festivais de música que eu fotografei no verão de 2010, meus primeiros experimentos com moda… tudo envolvia gente. Então eu parei de buscar e me conformei que essa “minha coisa”, meu estilo e o que eu estava procurando se resumia a fotografar pessoas.
Depois dessa descoberta comecei a desenvolver projetos paralelos que me proporcionaram diversão e crescimento. Por exemplo, quando você fotografa shows, eventos de moda e eventos em geral você tem que trazer em mente desde o início que você não vai ter controle do que está acontecendo e isso é muito complicado para fotógrafos que são acostumado com sessões e editoriais. Quando você se acostuma a fazer fotos planejadas em locações você perde um pouco a noção do que fazer quando chegar aquele momento que você não vai poder planejar ou controlar. Por isso gosto tanto de embarcar nestes tipos de projetos, eles me ajudam a estar sempre ciente e é divertido esperar até que eles apareçam.
Além de exercitar o seu olhar, o que mais a fotografia tem te ensinado?
A fotografia é a minha voz, o meu meio de comunicação e eu ficaria totalmente perdido sem isso. Já se imaginou sem poder expressar a sua visão para o mundo? Deve ser uma prisão e a minha vida seria assim se eu não pudesse fotografar.
E o que você ainda não conseguiu dizer para o mundo com essa sua ‘voz-fotografia’?
Eu ainda quero fotografar alguém que vai se tornar muito famoso e ter a minha foto guardada para sempre como marca da sua história, uma foto capaz de falar, de contar fatos… na verdade, eu quero fotografar o momento exato antes de uma pessoa se tornar uma celebridade… será que eu ainda consigo?
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