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Books de cachorros resgatados fazem o número de adoções aumentar

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Via G1 Paraná — Uma iniciativa simples impulsionou a adoção de cachorros resgatados pela Prefeitura de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, neste ano. O setor de comunicação da administração municipal se mobilizou para fazer uma campanha diferente: alguns dos cães ganharam um ensaio fotográfico.

Os dois books foram postados na página da prefeitura no Facebook e repercutiram rapidamente. O primeiro, divulgado em fevereiro, teve quase dez mil compartilhamentos e quatro mil curtidas, além de centenas de comentários, mais de 500. O interesse pela adoção foi tão grande que a administração municipal decidiu fazer uma campanha de adoção logo depois do lançamento do ensaio fotográfico na rede social.

Foram 16 adoções em um único evento – o número parece irrisório se comparado à quantidade de compartilhamentos e de curtidas no Facebook, porém, se confrontado à média de cachorros adotados em um mês, ele é relevante. Durante todo o ano de 2015, foram doados 46 animais. Juntando as duas campanhas feitas em 2016, em fevereiro e em abril, foram 28 adoções – que representam mais da metade de adoções ocorridas no ano anterior.

O segundo book, fotografado no mês passado, teve uma repercussão menor no Facebook. Foram 730 compartilhamentos, 336 curtidas e 42 comentários que resultaram em 12 cachorros adotados.

Em uma feira de adoção normal, realizada sem o álbum de fotos profissionais, o número de animais adotados é bem menor. Em janeiro, foram três adoções; em fevereiro, seis; e sete, em março. A prefeitura optou em fazer no mês de abril apenas um evento logo após o lançamento do ensaio fotográfico. Todos os números foram fornecidos pela administração municipal.

“Atraiu mais as pessoas. A adoção inicial foi surpreendente. Em um fim de semana, mais de dez cachorros foram adotados”, disse Karin Rose, que trabalha na área de proteção animal da Prefeitura de Piraquara.

Atualmente, 80 cães estão no centro de triagem da administração municipal. A próxima feira de adoção vai ocorrer no dia 15 de maio na Festa Trentina, na Colônia Santa Maria do Novo Tirol, das 8h às 16h. As feiras são realizadas uma vez por mês, sem endereço fixo, mas geralmente em uma localização central. Para adotar, deve-se preencher um termo de responsabilidade e ter CPF, RG e comprovante de residência em mãos. Outra alternativa para os interessados na adoção dos cachorros resgatados, além de comparecer às feiras, é ligar para os números: (41) 3590-3510 ou (41) 3590-3509.

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Contraponto
A veterinária Michele de Lima Kowalczuk, que trabalha na prefeitura, contou que apesar da “bela ajuda em divulgação”, há o contraponto. “A propaganda tem seu lado bom, mas também tem seu lado ruim. Doamos muito mais cães com os books. A propaganda faz com que as pessoas se empolguem, então incentivou bastante a adoção, mas aumentou a questão do abandono”, afirmou a veterinária.

De acordo com a administração municipal, há o registro da devolução de apenas um dos cachorros adotados que faziam parte dos ensaios fotográficos. Ele foi deixado perto do centro de triagem mantido pela prefeitura. Há ainda casos de outros cães que também acabam sendo largados pelos donos próximos ao centro triagem.

Por isso, a adoção consciente é bastante importante, já que o animal necessita de cuidados, atenção e carinho, além dos custos que qualquer bichinho acaba trazendo, com vacinas e alimentação, por exemplo.

Adoção consciente
A dona de casa Ladyane Camila Silva Guetten, de 27 anos, adotou uma filhote de vira-lata na primeira campanha que a prefeitura fez com o book. Agora, com sete meses, Donna divide o posto de mascote do lar com dois gatos.

Ladyane Camila adotou Donna, que hoje está com 7 meses

Ladyane Camila adotou Donna, que hoje está com
7 meses

“Eu estava tendo a ideia de adotar. Quando vi a campanha, tive certeza que queria. Foi legal escolher, ver qual mais combinava com a minha família. Foi amor à primeira vista”, relata Camila. Ela tem dois filhos, um de quatro anos e outro de um. “As crianças gostam dela, e ela gosta muito das crianças. Nunca teve um gesto de raiva com eles. É tudo perfeito”, diz.

Camila conta que foi criada com cachorros, mas que, desde os 18 anos, não tinha tido mais. “Queria que meus filhos tivessem esse contato”, explica. A dona de casa ainda ressalta umas das principais qualidade dos vira-latas: “eles são muito amorosos”.

Para Camila, a adoção valeu muito a pena. “Não me arrependo nenhum minuto”. Ela também fala sobre a necessidade de uma adoção consciente. “Exige um cuidado e há gastos. Um cachorro fica pelo menos uns 15 anos [tempo de vida médio do animal] com a gente. É muito importante ter essa conscientização, não adianta só adotar pra postar foto e depois abandonar”, reflete a dona de casa.

O segundo book feito com os cães pode ser conferido neste link e o primeiro aqui.

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Programa de Castração e Microchipagem
Em maio de 2015, a prefeitura implantou o Programa de Castração e Microchipagem de Cães e Gatos de Piraquara. No primeiro ano do projeto, 269 animais foram atendidos. A esterilização é gratuita e tem como objetivo reduzir a população animal de rua. Segundo a administração municipal, atualmente, sete cirurgias são realizadas por semana no atendimento de Protetores Individuais, que abrange a população inscrita e os animais sob a responsabilidade do município.

Outras iniciativas
Além do Programa de Castração e Microchipagem, a prefeitura tem outras iniciativas relacionadas ao bem estar dos animais. Uma delas foi a construção de um centro de triagem, que serve para o recolhimento seletivo de animais em situação de risco ou agressivos nas ruas da cidade.

O centro de triagem é para casos específicos: atendimentos feitos por meio de protocolo ou em caráter emergencial, quando envolve maus-tratos.

O atendimento de protocolos de animais feridos em vias públicas, de cachorros agressivos oferecendo riscos às pessoas e de denúncias de maus-tratos é feito pela Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo. A pasta analisa cada situação e, caso seja necessário, o animal é recolhido para o centro de triagem para ser tratado.

Em 2015, foram realizados 463 protocolos sendo que 180 necessitaram de atendimentos veterinários. Além disso, foram verificadas 283 denúncias de maus-tratos.

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