Roger Federer: o Rei Arthur.
Artistas. Como confiar neles?
Esse pessoal dita modas, lança tendências, forma opiniões, diverte e emociona com suas criações e a população nem sempre se dá conta de que aquilo que um artista mais produz é mentiras. Duvida? Vou te dizer por que.
Queen Latifah: a Ursula de "A Pequena Sereia"
Gisele Bündchen, como Wendy, o dançarino Mikhail Baryshnikov, como Peter Pan, e Tina Fey, como sininho
Primeiro, há teorias que dizem que as pessoas fazem arte para retratar o mundo em que vivem, ou para recriá-lo da maneira que queria que ele fosse. Ou seja, um fotógrafo, escultor, designer ou ator pode te mostrar uma obra que retrate um ambiente da maneira com que ele o idealiza e te vender a ideia como sendo a mais pura verdade, um retrato da realidade. Que feio!
Aí existe a questão da sinceridade, aquele desabafo pela arte, a sublimação e a catarse ao colocar no papel, na tela, no palco ou no vídeo aquela sua experiência para se livrar dela e ajudar as pessoas a se identificarem e também se edificarem, né? Lorota. Pois há artistas que idealizam até seu próprio passado, com sua dor exagerada e alegrias nunca tão vividas. Por quê? Ora, tudo pela arte.
Desse jeito, “Arte” e “honestidade” parecem impossíveis de conviverem, já que os mundos criados, mesmo aqueles “baseados em fatos reais”, viram ficção nas agitadas e criativas mentes dos artistas. Ou seja, artistas não passam de mentirosos habilidosos e não se pode confiar neles.
Ok, mentira minha. Muitos dos meus amigos mais queridos são artistas (seja por vocação ou por alma), então é claro que confio em pessoas que produzem arte. Então por que toda essa divagação até agora? Calma, eu te explico.
Tenho lido muito sobre criatividade (daí o post de semana passada, sobre inspiração) e conversado muito com criadores (tanto na amizade, quanto no trabalho) e tenho reconhecido os artistas como verdadeiros “arteiros”, no sentido duplo que a palavra nos traz mesmo.
“Arteiro” remete à infância, a época em que somos mais criativos e enxergamos o tal “mundo como gostaríamos que ele fosse” em cada brincadeira. Todo faz-de-conta traz justamente esse processo de criar realidades com os materiais que estão ao seu dispor (sejam eles quais forem) e sua visão, apenas. Todo artista precisa recuperar essa liberdade para conseguir produzir bem, seja um retrato fiel do que vê ou uma nova realidade inédita.
Ao mesmo tempo, os primeiros anos de nossa vida são também os mais sinceros. Crianças falam com maior honestidade sobre o que sentem e pensam, além de não terem tantos limites na hora de mostrar o que está acontecendo em suas mentes. Já pensou pintores, músicos e escritores terem acesso às suas emoções e sentimentos no nível de uma criança?
Pois bem, os artistas em que mais confio profissionalmente são aqueles que ousam não ter medo de inventar, de acessar livremente o que está acontecendo em suas mentes e, assim, criam realidades de mentirinha baseadas nos fatos reais, que não são verdadeiras, mas verossímeis.
Então é isso, acho que não tem como ser criativo sem ser um pouco infantil. Pra completar: Crianças sempre anseiam por crescer, e nenhum artista é bom de fato se não quiser se aperfeiçoar. Enfim, as fotos que ilustram esse texto são criações de Annie Leibovitz que trazem personagens da infância, para atiçar os arteiros que clicarem por aqui (você também pode ver mais detalhes sobre esse trabalho e o restante das fotos neste link).
Rachel Weisz: a Branca de Neve
Julie Andrews: a fada azul de Pinocchio e a atriz Abigail Breslin
Whoopi Goldberg: o gênio do filme 'Aladdin'
Jessica Biel: Pocahontas
Até semana que vem.
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