Podemos perdoar um homem por fazer algo útil, contanto que ele não admire o seu feito. A única desculpa para se fazer algo sem utilidade é que alguém o admire intensamente. Toda forma de arte é inútil.

(Oscar Wilde, 1891)


Boa parte da História parece discordar do famoso autor inglês quanto a essa última afirmação, seja no Egito antigo (onde nem existia o termo “arte”) ou nos dias de hoje, nos quais estamos cercados de criações – das mais simples às mais complexas – que estampam paredes, meios de comunicação, ruas, roupas e produtos. Afinal, se há um trabalho criativo para desenvolver algo que seja agradável ou interessante, podemos dizer que ali há arte.

Como fica, então, o nosso trabalho de avaliar o que é bom e o que não é, já que somos bombardeados com tanta coisa pra ver, ouvir, sentir, gostar, amar, odiar, tentar esquecer, seguir no Twitter ou jogar no lixo? A dica que dou hoje é: Obra boa é aquela que cumpre sua função, seja ela qual for.

Artista Desconhecido

Vou explicar de outro jeito (e melhor): É comum que se estabeleçam distinções entre o que alguns chamam de “superior” e “inferior” na arte, com os eruditos (de qualquer forma artística) no primeiro grupo e as obras e artistas com apelo popular no segundo. Com tantos novos meios de se fazer, entender e ter acesso às artes, essa separação se mostra cada vez menos eficiente. Outra que, se você preferir dividir mesmo, apenas duas categorias não dariam conta de definir a toda produção cultural em um mundo tão globalizado como o nosso.

Por isso é legal a gente observar qual a razão de certa obra existir, pra assim entendermos se ela faz bem aquilo que se propõe a fazer. Assim, pouco adianta uma produção querer inovar em sua estética ou tema e, no fim das contas, apenas repetir o que já foi feito. Da mesma forma que se algo é desenvolvido pra vender ou chamar a atenção de muitos ao mesmo tempo, só poderá ser considerado “bom” se cumprir essa proposta. Essa ideia pode incluir também o que o Wilde estava dizendo sobre as “inúteis” obras, feitas com a única proposta de serem admiradas (“arte pela arte”).

Marcel Duchamp

Hoje, tanto o que é considerado superior quanto inferior (além de uma grande porção de criações que ficam na intersecção entre os dois grupos – o que é assunto para outro dia) pode ser acessadosfacilmente, principalmente através dos meios de comunicação, por isso é interessante que a gente saiba lidar com esses conceitos, para saber como avaliar cada coisa que a gente consome.

É aquela história: Você está com fome e pode ir tanto em um restaurante refinado, quanto em um fast food. A função “alimentação” será cumprida nos dois cenários, mas serão experiências totalmente diferentes. A questão é a gente saber ir atrás do que vai matar a “fome” que sentimos naquela hora, se a pegada é consumir uma obra só por entretenimento ou algo que te eleve a outros níveis de existência.

Apenas lembre-se de saber aproveitar ao máximo cada uma dessas coisas – afinal, seja lá qual for seu propósito, a arte está aí pra ser desfrutada. Curta também essas imagens aqui no post que brincam, cada uma à sua maneira, com conceitos de arte “superior” e “inferior”.

Até semana que vem!

Banksy

 

 

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