Em Quadros: Arte em Crise.

Rabiscado por André Felipe de Medeiros em 28/05/2012

Edvard Munch – "O Grito"

 

Em um mundo hedonista em que se busca a felicidade acima de toda as coisas, a palavra crise pode arrepiar a nuca de muita gente, mas quanto se faz/pensa/sente/vive arte, menos medo o termo parece carregar. Melhor ainda, o próprio conceito pode vir a ser algo positivo.

O dicionário pode definir a palavra como uma condição de instabilidade ou perigo (como uma “crise econômica”, por exemplo), ou um momento emocionalmente conflituoso na vida de alguém. E por menos agradáveis que essas duas situações se apresentem para nós, elas sempre produzem mudanças práticas e teóricas em nossa maneira de produzir. Não houve crise social tão violenta na humanidade que tenha conseguido calar seus artistas, assim como são muitas as obras feitas a partir de grandes tragédias e conflitos (inter)pessoais em maior ou menor grau na Arte.

Henri Cartier-Bresson

Atravessar a crise gera transformação. Uma “pane” criativa em um momento que, por algum motivo ou qualquer outro, não se consiga produzir nada pede medidas transformativas e informativas para que a criação (e a mente do artista) sobreviva e, geralmente, a obra que estava em crise acaba melhor do que o planejado – talvez, ela precisasse morrer para dar uma de Fênix e ressurgir com força total.

Há ainda a definição de crise como “julgamento” ou “seleção” e é ela que dá origem à crítica. Seja ela aparentemente construtiva ou não, toda palavra, ação ou pessoa que nos faça questionar sobre o que estamos fazendo acaba por instigar em nós uma crise criativa para que aquele processo do parágrafo anterior se repita e a gente dê um jeito de amadurecer.

Norman Rockwell – “O Crítico de Arte”

É claro que a gente acaba ouvindo muita bobagem no meio do caminho, mas a motivação para o crescimento pode vir até mesmo do mais tolo comentário. O que importa é saber ligar os filtros para saber digerir o que se está ouvindo e saber julgar se o que estamos ouvindo (e o que isso no gerou) vai produzir em nós algo positivo – ou seja, vale a pena criticar a própria crise.

Até a próxima!

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