Em Quadros: Crescer é (im)Preciso.

Rabiscado por André Felipe de Medeiros em 03/07/2012

Trabalhei por muito tempo com crianças e com adolescentes. Aliás, eu trabalhei com adolescentes até mesmo quando eu ainda era um deles. Uma das coisas que eu mais gostava era poder observar o pessoal aprendendo não necessariamente para chegar onde quer, mas para ser – e ser visto – como gostaria de ser.

Penso que a mesma coisa acontece com artistas. Todo mundo que cria precisa adolescer uma hora ou outra. Deixamos de sermos iniciantes nessa vida e passamos a enxergar o mundo como gente grande, o que nos demanda atitudes com cada vez mais responsabilidades, que nos geram cada vez maiores cobranças, mas – e que bom que há esse “mas” – nossas recompensas são proporcionais a isso tudo.

A adolescência é marcada por diversos elementos, mas é fácil destacar a estranheza de um período em que você já passou da idade para muita coisa, mas ainda é muito novo para tantas outras (que, na maior parte das vezes, você teima em tentar fazer mesmo assim). Não é exatamente assim quando estamos nos aperfeiçoando em nossa linguagem artística? Se te instruem a treinar alguns primeiros passos, você pode ficar até ofendido, insistindo que está na hora de alçar voos mais altos, mesmo se todos ao redor (normalmente, os mais experientes) te contrariem dizendo que ainda não é o momento.

Assim como acontece na vida em geral, cada um acaba crescendo de um jeito. Aquelas pessoas que eram muito amigas suas na infância, de repente, vão cada uma para um lado distinto e aquelas afinidades tão naturais simplesmente não existem mais. É igual quando você e alguns amigos “arteiros” estão na mesma pegada, mas cada um começa a se desenvolver em uma direção e, quando você menos espera, parece que ninguém se entende mais.

A boa notícia é que não existem muitos “certos” e “errados” quando o assunto é amadurecer. Alguns pode não gostar do lado em que você tem crescido, mas isso costuma acontecer por estranhamento, já que vocês possuem filosofias diferentes. E não tem problema, isso sempre acaba acontecendo: nem sempre nosso ritmo de crescimento está alinhado ao dos outros.

Sobre a velocidade com que esse processo acontece, me lembro sempre de uma história em que uma criança colocou um casulo de lagarta no forno microondas para que a borboleta saísse mais rápido. É assim com pessoas em crescimento, é assim com artistas em amadurecimento. O importante é focar na necessidade quase biológica que temos de sermos cada vez maiores. Em um dia, começamos a aprender mais sobre uma linguagem artística, tomamos gosto e, de repente, precisamos comprar roupas novas porque as que temos já ficaram pequenas. E isso é lindo demais de se ver.

As fotos que ilustram o texto fazem parte de um projeto meu que comecei há algum tempo em que tento retratar adolescentes mostrando justamente como é o processo de deixar de ser algo para tornar-se outro, ao mesmo tempo em que se é coisas demais.

Até a próxima!

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