German Lorca

Nesta semana, a Semana de Arte Moderna de 1922 completa seus 90 anos e achei que poderia ser interessante mostrar algumas fotos produzidas durante o Modernismo, um período muito rico para nossa Fotografia, já que viu nascer diversos nomes que colocaram o Brasil no mapa dos grandes produtores de fotos no mundo. É tempo de celebrar essa nossa herança e recuperar essas influências para nos desenvolvermos ainda mais esteticamente.

Essa tal semana não significa necessariamente o início desse movimento no país (até por que é muito difícil estabelecer exatamente quando um período termina e outro começa), mas ela ajudou os artistas e suas novas estéticas a ganharem a devida atenção em diferentes linguagens artísticas, como a literatura e as artes plásticas. O importante é que as ideias difundidas naqueles dias de fevereiro inspiraram criadores e pensadores a pensar a maneira com que fizemos arte por boa parte do século 20 e, de certa forma, até hoje.

Thomaz Farkas

José Yalenti


 

As vanguardas europeias, precursoras do Modernismo, levaram os artistas a novas ideias sobre experimentação, seja em tema, forma ou até nos materiais usados para a fotografia. Com o amadurecimento das visões modernistas, os fotógrafos perceberam que poderiam expressar atitudes sociológicas e psicológicas à medida que exploravam novas maneiras de compor seus quadros. Pode parecer óbvio hoje, mas temos sempre que nos lembrar que, por um bom tempo, a tecnologia de poder capturar imagens com câmeras já satisfazia as pessoas e só depois que começaram a explorar opções estéticas com as fotos, primeiramente com o pictorialismo.

Acompanhando o que acontecia ao redor do mundo, os brasileiros foram influenciados por essas tendências. Por aqui, os fotógrafos preferiram trabalhar composições com geometrização, novos ângulos e abstracionismo, com uso radical de claro e escuro e maior liberdade na construção dos quadros. Quanto aos temas, muitos deles buscavam novas maneiras de olhar a vida cotidiana.

João Bizarro Nave Filho

Marcel Giró


 

Depois de tanta experimentação, chegou-se a um novo figurativismo – uma maneira de mostrar temas não-abstratos com a herança das ideias vanguardistas e do início do Modernismo. Foi então que o fotojornalismo, no geral, começou a se desenvolver para ficar bem parecido com o que hoje nós conhecemos do gênero, ao custo da diminuição do número de artistas experimentadores em atividade no país durante a metade do século 20.

Vendo essas fotos todas que ilustram a coluna esta semana, fico pensando no quanto o brasileiro tem para ainda conhecer da fotografia produzida no país durante o Modernismo. Repito: tempo de celebrar essa nossa herança e recuperar essas influências para nos desenvolvermos ainda mais esteticamente.

Até a semana que vem.

Ivo Ferreira da Silva

Geraldo de Barros


 

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