Delft, Holanda
Gosto quando cursos e livros sobre arte começam questionando por que a humanidade decidiu começar a criar. À medida que as perguntas vão sendo respondidas, acho interessante trazer o assunto para um nível pessoal — afinal, assim como cada sociedade produzia arte por um motivo próprio, cada indivíduo acaba encontrando suas próprias razões para criar.
Eu nem me refiro a escrever um livro, compor uma sinfonia ou montar um projeto fotográfico colossal, mas às pequenas escolhas que fazemos todos os dias para modificar um pouco o mundo que nos cerca e deixá-lo um pouco mais com a nossa cara. Esse não é justamente um dos significados para arte?
Brest, França
Münster, Alemanha
Uma professora uma vez gostou quando eu sugeri que estética é “o jeitinho da avó temperar o feijão”. Eu não estava falando de culinária popular, mas de uma maneira escolhida para uma ação cotidiana se tornar mais agradável. A tal avó pode cozinhar feijões há não sei quantas décadas, mas ela se preocupa em deixá-lo de um jeito especial sempre que leva a panela ao fogo.
E nossa estética se revela no jeito em que nos arrumamos (roupa, cabelo, etc), na maneira com que organizamos uma mesa ou nossas ideias no papel, ou em como decoramos nosso arredor. Enxergar a arte nas pequenas coisas não vai diminuir o significado que as grandes obras tem, vai é nos dar uma nova dimensão para o significado dessas escolhas, além da possibilidade de abrir os olhos para um mundo mais agradável.
Berlim, Alemanha
São Paulo, Brasil
Digo isso por que sua razão para criar seja puramente estética, talvez sua vontade de produzir é apenas capturar ou reproduzir belezas, e não há absolutamente nada errado com isso. Feliz é quem inventa mais e mais possibilidades de enxergar o belo no dia a dia.
Resolvi decorar o post com imagens de arte urbana ao redor do mundo para mostrar minha gratidão para com quem sabe melhorar o espaço público para nossos olhos.
Até a próxima!
Beirute, Líbano
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