Em Quadros: Ser ou Estar? – Eis a Questão

Rabiscado por André Felipe de Medeiros em 10/04/2012

Lembra quando você foi aprender inglês e te explicaram que o verbo to be significa ao mesmo tempo “ser” e “estar” e sua cabeça deu um nó (ainda que por alguns segundos)? “Como eu vou saber deixar claro quando eu digo um ou outro?” e “como eu vou saber qual dos dois estão me falando?” eram questionamentos instantâneos na sua mente que, criada em português, não sabia dar conta de separar esses dois conceitos em uma mesma palavra. Com o tempo, o uso e a diferenciação significados foram ficando mais óbvias e hoje você não tem dúvidas de como usar “am”, “is” e “are” para qualquer situação.

Eu sei que Em Quadros não é uma coluna sobre línguas, mas sempre falou sobre aprendizado — e é nesse gancho que eu quero trazer o questionamento de hoje, que é a diferença de ser e de estar dentro de uma escola estética ou um movimento.

Para trabalhar com arte, é necessário ser flexível. Um dia pode te aparecer uma missão que necessite que você vista uma máscara, daí no outro dia te aparece uma tarefa totalmente diferente na qual você precisa se reinventar e ir em direções opostas. E seu estilo pessoal, como fica?

Como conversamos na semana passada, o artista às vezes precisa escolher criar dentro de uma certa estética, por menos que ela tenha a ver com o gosto pessoal dele. Isso vai desde um anúncio publicitário dentro de um estilo nada a ver com um seu, a um gênero da fotografia que não te atraia ou uma música feita sob encomenda que não tem nada a ver com você.

E uma coisa que pode ajudar essa dinâmica é justamente a dica do to be. Estar dentro de uma estética não te coloca como parte de um movimento — criar algo dentro do neo-expressionismo não faz de você um neo-expressionista, por exemplo. Pode parecer óbvio, mas é comum ver novos artistas preocupados com sua identidade ainda em formação ficar abalada com um job ou outro que apareça em um caminho completamente diferente daquele trilhado até então.

Fica então a dica de reflexão para você não perder a cabeça quando te aparecer um trabalho que tenha muito pouco a ver com o que você quer fazer para o resto da vida. Você pode continuar sendo tudo aquilo que é e quer ser, mesmo estando em outro lugar — pô, essa lição é pra vida hein?

Semana que vem, trocaremos de assunto. Até lá!

 

Cate Blanchett, por Annie Leibovitz

Cate Blanchett, por Annie Leibovitz

Cataratas do Niágara, por Annie Leibovitz para sua mais recente série 'Pilgrimage'.

Quarto da escritora Virginia Woolf na Inglaterra, por Annie Leibovitz para sua mais recente série 'Pilgrimage'.

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