Falar sobre originalidade na Arte pode vir a ser algo complicado, por mais comum que esse tema seja. O primeiro problema é que esse tema já foi muito desgastado em livros, debates, salas de aula, mesas de bar e “mimimis” de críticos. Em segundo lugar, chegou a hora da gente questionar de uma ver por todas a relevância dessa discussão.
Muito já se conversou sobre parte do valor de uma obra de arte ser sua originalidade, no sentido de “única”, de só existir uma delas no mundo. Ainda que um mesmo artista tente pintas dois quadros iguais, eles nunca serão idênticos. A era Contemporânea não dá muito apoio a essa discussão, já que grande parte da nossa produção cultural é naturalmente multiplicada, como fotografias (que permite infinitas cópias a partir de um negativo ou de um arquivo digital), cinema ou música.
Escultores, desde a Antiguidade, fazem obras a partir de moldes preparados para deixar suas criações exatamente como planejaram. E cada linguagem artística tem seu próprio molde, como rascunhos de um desenho, ou mesmo presets pra tratamento de fotos. É normal a gente dar uma forma comum a diferentes trabalhos nossos, até porque isso vira uma questão de estilo próprio.
É interessante como muita gente cobra os artistas de inovarem, inovarem, inovarem dentre de suas estéticas e propostas, gente que crê que a Arte deve ser medida por conceitos como “evolução” ou mesmo “atualização”. E eu digo que isso é interessante porque esse é o tipo de lógica que rege o Mercado, não a Arte. Nunca conheci um artista satisfeito com o domínio que tem sobre sua linguagem, mas essa pressão excessiva por sempre fazer algo diferente, sempre fazer algo novo, raramente vem de dentro.
E existe a questão dos modelos a serem seguidos. Imitar os grandes mestres sempre foi um grande aprendizado para qualquer artista e esse é o tipo de referência que não se perde tão facilmente. Ou mesmo com quem produz por encomenda, existe uma curiosa cobrança para a obra sair igual ao que foi pedido e, ao mesmo tempo, sendo única.
Para encerrar o texto (perceba como eu disse “encerrar o texto”, não “concluir” ou “acabar a reflexão” – pelo contrário, espero que ela comece de fato quando você terminar de ler), vamos ter em mente que “arte é imitação” da natureza, das nossas vidas, do nosso mundo ou das coisas que não sabemos explicar direito de outra forma que não seja através de uma criação. A origem da arte está nessa cópia, depois trabalhada dentro dos moldes que criamos e seguindo os modelos que fomos ensinados ou que descobrimos. Fazer algo inteiramente novo em forma e conteúdo não é o dever do artista. Não, seu dever é trabalhar bem. Quem precisa de algo muito inovador é o mercado, não a alma.
Enquanto a semana que vem não chega com uma nova reflexão (prometo que menos “viajada”), fique com essas fotos de modelos – essas pessoas com quem o mercado quer que a gente queira ser parecido, eliminando nossas características únicas.

Twiggy

Naomi Campbell

Claudia Schiffer
Gisele Bündchen

Anne Vyalitsyna

Karlie Kloss

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