
Richard Hamilton, "O que é que torna os lares de hoje tão diferentes, tão atraentes?"
“Popular, efêmera, descartável, barata, produzida em massa, jovem, espirituosa, sexy, macetada, glamourosa, big business”. Foi assim que o britânico Richard Hamilton definiu em 1956 a Arte que ele apreciava. Ele fazia parte de um grupo de artistas da época que conhecia muito bem a produção cultural tradicional, mas que se interessava cada vez mais pelas imagens e técnicas da cultura de massa – o que culminou logo depois com a Pop Art.
Não vamos gastar tempo falando muito sobre conceitos de “superior” e “inferior” na arte (pelo simples fato de já termos conversado sobre isso antes). Ao invés disso, penso que faria bem para a gente parar um pouco e celebrar o que há de bom no popular, exatamente como Hamilton e seus companheiros faziam. Até porque o mundo nunca foi tão pop como hoje – e não saber aproveitar isso seria um grande desperdício, seja na fotografia ou em qualquer outra linguagem artística.

David LaChapelle, "Kylie Minogue"

Andy Warhol, "Elvis"
Bom, “popular” remete ao que vem do povo ou o que é feito para as massas, já que traz elementos que são admirados e/ou comuns a várias pessoas (ou camadas da sociedade) ao mesmo tempo. Ou seja, é o que agrada a maioria. Quando a Art virou Pop depois de Hamilton e companhia, o primeiro benefício foi justamente tornar a produção cultural mais acessível a todos de uma vez — não que alguém sem nenhum conhecimento de História e Teoria da Arte entenda por que alguém fez um quadro com uma lata de sopa ou uma história em quadrinhos, mas reconhecer os elementos na imagem já torna a experiência de ir ao museu mais interessante para um leigo do que obras muito abstratas.
Essa acessibilidade também tem a ver com temas comuns do cotidiano, desde objetos às frequentes celebridades que a mídia constrói. O constante consumo de imagens — algo que a Pop Art trabalhou — hoje é ainda mais frequente que no século 20, o que tem desafiado a criatividade de produtores de todas as áreas em todo o globo para que sua arte continue a nos interessar, seja em revistas, propagandas, videoclipes ou capas de discos e livros. Já que vamos viver em um mundo rodeado de imagens, que elas nos agradem. Certo?

Imagem Publicitária da Absolut.

Imagem Publicitária da Harley Davidson
Moby, We Are All Made o Stars - Dirigido por Joseph Kahn
E vários artistas do nosso tempo, seja na música, cinema, design ou no que for, são influenciados diretamente pelo que é Pop e fazem questão de se enquadrarem nessa categoria, fazendo com que aqueles com preconceito contra o termo cocem a cabeça sem saber como reagir. Como negar a beleza, impacto e relevância — além da capacidade de entreter — que possui uma obra de LaChapelle, The Beatles ou Quentin Tarantino? Todos ótimos, todos pop.
Seja nos temas (celebridades, ícones de propaganda, itens de consumo), ou no espírito de adorar e criticar ao mesmo tempo, são os artistas que sabem lidar com elementos populares aqueles que, no geral, se destacam entre público e crítica. Minha dica não é apenas deixar de ter medo das produções pop, mas não ter medo da sua arte ser assim também. O mundo é pop, baby, e quem sabe curtir isso acaba se divertindo mais. Pode perceber.

Annie Leibovitz

Banksy

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