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FotoPoesia: Duane Michals e a foto dentro da foto.

Duane Michals é um fotógrafo americano conhecido, principalmente, por suas sequências de fotos. Esse modo de trabalhar permite-nos aproximar o artista como um contador de histórias, sendo ele um cineastra, ou autor de livro.  O desejo de Michals, portanto, é nortear o público durante o caminho para entrar em contato com sua obra, e por isso, declara:

“Não estava satisfeito com a imagem individual por que não conseguia submetê-la a uma descoberta adicional. Na seqüência, a soma de imagens indica o que não pode ser dito por uma única fotografia”.

Uma dessas sequências impressionantes é Things are queer, clicada em 1973. Nestas imagens, o fotógrafo trabalha, essencialmente, com dois movimentos: quebra de espectativa e a fotografia com sua própria metalinguagem.

 

Logo na primeira foto, vemos de cenário um banheiro absolutamente normal. Na foto posterior, esses cômodo é invadido por um “gigante”. A quebra da nossa espectativa acontece, apenas, com o afastamento das lentes. A partir disso, percebemos que o verdadeiro efeito das fotos está na valorização de determinados pontos de vista.

Em um certo momento da sequência, a obra aparece dentro da obra. Essa ferramenta é frequente no nosso cotidiano, mas os primeiros registros desse fenômeno datam do séc XIX e recebe o nome de “Mise en Abyme”. A tradução literal para o termo é “posta em abismo” e consiste na obra apresentar, em menor escala, a própria obra. Esse efeito permeia a área das artes em geral: na literatura, no cinema, nas artes plásticas, e, porquê não, no mundo da fotografia?

Duane Michals, por meio do espelho, utiliza a mesma ideia que outros grandes artistas.  Da referências consagradas da conhecida mão que desenha a mão do artista Esher, do quadro Las Meninas do pintor Velázquez, dos brasões de muitas famílias, ou, até mesmo, da embalagem do pó royal. Não é incrível como, as vezes, os detalhes nos escapam e só percebemos quando alguém (como Duane Michals) nos guia com seu modo de observar o mundo?

“Las Meninas”, Diego Velázquez

Escher

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