Nosso convidado de hoje para a Galeria Atelliê é o fotógrafo carioca Bruno Baketa. 24 anos e, embora não goste de rotular que trabalhe especificamente com isso ou aquilo, observar seu portfolio é como sintonizar em um desses canais como Vh1 ou Multishow e deixar o tempo passar.

Ainda que se arriscando em outras áreas, a praia onde Baketa realmente se encontrou (o nome artístico já diz tudo) foi na Fotografia de Música, mas hoje ele veio contar para os leitores Atelliê como foi se aventurar (e com responsa) na cobertura do Fashion Rio deste ano.

Veja o que ele tem pra nos contar:

 

 

Fashion Rio — por Bruno Baketa.

Fashion Rio é, sem dúvidas, um evento que dispensa comentários, né?

Meu primeiro contato com o mundo da moda foi fazendo assistência para um amigo meu e aprendi muito desde que comecei. Quer dizer, a cada dia a gente aprende muito, o olhar muda, as ideias mudam e assim a gente vai evoluindo. Na verdade até o mundo muda, não é mesmo? Nem sempre evolui, mas muda. Quando comecei a ajudar esse meu amigo eu não sabia quase nada de moda, mas fui logo de cabeça, interessado no assunto e comecei a aprender muito sobre esse universo que, pra mim, era distante. Não muito, pois minha esposa é fanática sobre isso, mas eu mesmo nunca fui muito ligado. Fazer editoriais ficou cada vez mais frequente e, em consequência disso, vieram as publicações em jornais e revistas….e posso dizer que cada trabalho era um aprendizado a mais, uma bagagem a mais.

Depois de um tempo pintou o convite para o Fashion Rio. Fui convidado peloportal HiperFashion para fazer a cobertura fotográfica para eles e me assustei um pouco, claro. Nunca tinha feito qualquer evento de moda e ia direito pro Fashion Rio, o evento onde um lugar no pit é mais disputado que final de campeonato brasileiro. Mas a verdade é que fui na cara e na coragem…. e não me arrependo de nada.

Cada segundo daquela semana frenética foi especial e inesquecível. Desde o momento onde peguei minha credencial até o último desfile. Cheguei lá bem tímido, me sentindo um peixe fora d’água, mas logo os camaradas de profissão me deixaram mais a vontade e aí tudo melhorou. Cada minuto de papo, cada desfile, cada backstage… tudo era um aprendizado que tenho certeza que vou levar para a vida inteira.

Entrar no pit de um evento desse porte é uma coisa bastante assustadora, sabe? Todo mundo amontoado num espaço mínimo, mas que tem (não me pergunte como) um lugar mesmo pra cada um. E é dali que vão sair as fotos e vídeos que vão rodar o mundo em poquíssimos minutos. Na verdade, o que mais demora em um desfile é a espera antes dele começar e quando ele finalmente começa, pode contar: apenas de 5 a 10 minutos, não consigo me lembrar de um que tenha ultrapassado esse tempo.

E quando o desfile acaba? Você se vê correndo para a sala de imprensa, descarregando as fotos, editando, enviando e se preocupando em cobrir o backstage do outro desfile aberto e quase fechando. A correria é indescritível e a pressão é realmente muito grande, mas vale a pena, confesso. Tempo para comer e descansar? Esqueça isso… vai ser uma semana intensa.

No primeiro desfile eu estava realmente perdido, mas a partir do segundo consegui me encontrar e só vim a melhorar mesmo depois que troquei algumas ideias com uns caras da Reuters e um da Vogue. Me deram altas dicas que fizeram  com que meu trabalho rendesse bem demais lá, principalmente para quem estava enfrentando aquilo pela primeira vez.

Já quase no final do evento a ficha caiu: Eu estava rodeado de modelos internacionalmente conhecidas, fotógrafos renomados e aprendendo muito sobre o universo da moda com quem vive, de fato, vive dele e para ele. É uma sensação engraçada demais, um dia eu estava no pit de um show grandioso como Paramore ou Slash e no outro eu estava lá no meio do Fashion Rio. É realmente um choque, sou muito grato por ter tido essa oportunidade e fiquei muito feliz mesmo com o resultado do que fiz por lá.

Fui muito elogiado pela chefe do HiperFashion e isso foi gratificante demais também visto que ela trabalha diretamente com moda e fotografia. Posso dizer que o Fashion Rio foi um divisor de águas. Uma semana que me pareceu um mês, mas onde aprendi o suficiente para uns bons anos. Só quem já se envolveu em algo do tipo, consegue entender a intensidade da energia que corre por aqueles corredores e backstages e eu gostaria de deixar aqui o meu ‘muito obrigado’ à todos os envolvidos naquela que foi a experiência profissional mais intensa da minha vida… ao menos por enquanto.

 

 

 

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