Poderíamos passar semanas enumerando respostas para a pergunta polêmica deste título, mas ouso logo arriscar algumas: Fotografia pode servir para comunicar mensagens, pode não servir para nada, pode servir para expressar emoções, para contar histórias, para — com o perdão do clichê — eternizar momentos.

Clichê com razão! Afinal, fotografar com o próposito de tentar congelar para sempre no tempo a cena que você está presenciando é a razão mais comum para fotos serem disparadas por ‘meros mortais’ emocionados pela situação. Parece ser uma questão de honra sacar sua câmera portátil ou até mesmo contratar um fotógrafo profissional para registrar os melhores momentos dos rituais que marcam a história da sua vida e é seguindo esta linha de pensamento que tenho o prazer de anunciar o nosso convidado para mais esta edição da Galeria Atelliê.

Claudio Pepper, e o bombardeio inspiracional de suas fotografias, foi um presente que eu ganhei pelas redes sociais e hoje tenho o prazer de dividir este seu magnífico projeto com vocês. Fotografando um ritual nada comum, Pepper salva do esquecimento o momento que fumantes decidem abandonar o vício registrando a última fumaça em uma bela fotografia para que não seja preciso lamentar ou sentir saudades do derradeiro trago. Ironia bonita na antítese de deixar congelada a imagem de mãos que não vão mais segurar um cigarro queimando…

Veja só o depoimento de Claudio sobre como tem sido clicar estas fotografias pra lá de cinematográficas e se deixe impressionar também por este trabalho:

 

 

‘The Last Cigarette Portraits — por Claudio Pepper.

Depois de ter feito no último ano quase 30 retratos de gente fumando o último cigarro, eu estou cada vez mais animado a continuar fazendo isso, mesmo depois da exposição que montarei agora em 2012, após acumular 50 retratos. E não apenas pelo prazer de fotografar cada personagem —  que já seria o bastante. Mas porque o processo da realização de cada retrato tem me proporcionado surpresas muito interessantes.

Cada fumante, ao decidir participar do projeto, está tomando uma decisão muito difícil, que altera seus hábitos, seu paladar, seu futuro. E, como parte do formato colaborativo, que é essencial neste projeto, cada um decide quando, como e onde vai fumar o seu último cigarro. E sugiro sempre que seja uma cena inesquecível para ela, seja cena original, seja cena baseada em algum filme ou personagem.

‘The Last Cigarette Portraits não tem nenhum compromisso com antitabagismo, e nem é apologia ao tabagismo. A minha idéia é que o ato de fumar o último cigarro seja registrado como um momento de esgotamento daquele prazer.

Não é para eternizar aquela etapa, mas para pontuar a decisão, ao fumar pela última vez, com uma cena especial! É uma cerimônia de desapego, mas não de renegação.

Enfim, as experiências deste processo colaborativo têm agregado muito ao projeto. E tenho anotado todas elas, para apresentar durante a exposição.

Enquanto não concluo a primeira edição, procuro registrar numa página no facebook alguns dos retratos do projeto, desde quando são agendados pelas pessoas.  Estes fragmentos de informação podem ser vistos em neste link.

 

Elyene amanhece fumando seu último cigarro num parque da cidade de São Paulo, com o sol nascendo.

Paola Suplicy escolheu fumar seu último cigarro num lugar claro, colorido e arejado, assim como seu vestido. Com pés descalços, vinho, calma e muita alegria, a cena era perfeita para ser congelada.

Anne fuma seu último cigarro diante do espelho, se produzindo para uma grande noite sem ele.

Nocaute! Assim Tom fumou seu último cigarro!

Cristina fuma seu último cigarro na biblioteca de sua casa, e dedica esse momento às suas meninas.

O último cigarro da Ângela foi na rampa do Memorial da América Latina.

 


 

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