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O Claudinho Nasceu em Casa, por Ana Paula Batista

Muitas homenagens bonitas recheiam a internet (e o domingo) neste Dia das Mães. Aqui no Atelliê, o nosso recado ficou por conta da Ana Paula Batista, fotógrafa que atua em Brasília fotografando crianças, famílias e partos.

Em um lindo relato, Ana Paula nos contou as emoções de fotografar pela primeira vez um parto domiciliar.

Eu não consegui conter as lágrimas, emocione-se você também e tenha um Feliz dia das Mães!

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A banheira estava na cozinha, onde a mãe preparava o almoço. Os gritos seguiam as contrações e eram acompanhados de olhares curiosos dos vizinhos e de pessoas que ali passavam sem entenderem bem o que poderia estar acontecendo dentro da casa.

A água aliviava um pouco as fortes contrações. Os braços e mãos fortes da doula e do marido seguravam a parturiente nos momentos de dor. Essas fortes mãos também acariciavam seus cabelos, seu rosto e davam o apoio que ela precisava.

Essa cena não é ficção, não se passou há algumas décadas e nem em algum lugar que não houvesse acesso a instituições de saúde. É verídica, aconteceu em Brasília, em plenos 2012. Foi a cena que eu encontrei quando cheguei pra fotografar um nascimento domiciliar pela primeira vez.

Pouca luz, espaço pequeno e o não saber o que esperar se aliavam num grande desafio.

O trabalho de parto durou algumas horas. A doula, sempre presente, fazia massagens, orientava exercícios e posições visando o maior conforto, tanto físico como psicológico, durante o processo. Mel para dar energia e cheirinho de lavanda para dar calma. E mais massagens e mais amor. Firmeza quando necessária, mas sempre com carinho.

As parteiras nada pareciam com as senhoras que chegam com uma bacia de água quente e toalhas, como figura nosso imaginário alimentado pelas histórias de nossas avós. Duas moças com vestes de enfermeiras e cercadas de um arsenal para atuarem em casos de emergência.

O marido estava sempre por perto, encorajando a sua mulher, dizendo a ela o quanto a amava. Quando ficava tenso pela expectativa, pelo desconhecido, a sogra, com mãos de mãe, o acalmava. A doula e as parteiras davam a segurança que ele precisava no momento.

A irmãzinha caçula, ainda beirando a adolescência e prestes a ganhar um sobrinho, lançava uns olhares ora preocupados ora curiosos para a irmã. Tapava os ouvidos no momento dos gritos e me perguntava “tia, será que vai demorar pra nascer?”. Eu realmente não sabia.

Nós éramos os escolhidos pelo casal pra presenciar a chegada do mais novo membro da família. Simples assim. Sem precisar pedir autorização ou enfrentar olhares desconfiados que, nem que seja por um curto lapso temporal, nos fazem sentir estranhos no ninho.

E no meio da tarde, quando chegou a hora do nascimento, estávamos lá. Cada um em sua função, mas todos com olhos voltados para aquele trio. Pai, mãe, filho. O bebê de quase quatro quilos nasceu na água. Seu pai estava lá, dentro da banheira, para recebê-lo com todo o seu amor e entregá-lo ao aconchego do colo de sua mãe. O bebê não chorou. Acho que se sentia seguro e confortável o suficiente pra não reclamar e apenas aproveitar aquele colinho. Ficou ali descansando, agarradinho ao dedo do pai, enquanto o cordão ainda pulsava.

Tia, ele nasceu roxinho… é assim mesmo?” uma vozinha me perguntou. “É sim, meu amor!”, enquanto eu enxugava as lágrimas que a essa hora já desciam sem a menor cerimônia.

Depois de ir com as próprias pernas tomar banho, a mãe do bebê me viu e me abraçou. Nosso abraço era uma troca de carinho e gratidão. Ela agradecida por eu ter registrado um dos dias mais importantes e felizes de sua vida e eu agradecida pela confiança que depositou em mim ao ter aberto sua casa, num momento de tanta intimidade, e pela oportunidade que me deu de ter vivenciado uma experiência tão inesquecível e intensa, não só para a fotógrafa, mas para a pessoa que a abriga.

Saí de lá diferente de como entrei. Vivi, aprendi, senti… e ser fotógrafa naquele momento fez um sentido enorme!

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Acompanhe o trabalho de Ana Paula Batista: SITE | Twitter | Facebook

 

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4 comentários

  1. Eu tive toda a tranquilidade no mundo no meu parto. Na maternidade, com meu marido do lado e médicos que me respeitaram. E esse teu relato só aumentou a minha vontade de ter o próximo filho em casa.
    Lindo e emocionante.

    • Carolina, que bom que você teve todo esse suporte e respeito no seu parto, né? Que maravilha! Infelizmente muitas mulheres ainda sofrem com a violência obstétrica.
      Esse parto foi uma das experiências mais marcantes da minha vida! Fico feliz que tenha te emocionado também.
      Beijo

  2. Fantástico, que historia linda, também me emocionei aqui. Essa historia só fez aumentar em mim a vontade de ter um parto normal e em casa. Não tenho filhos, nem estou gravida, mas quando tiver, espero que seja assim, tão lindo quanto foi o dela.
    Parabéns pelo trabalho maravilhoso!

    • Muito obrigada, Jéssika! Fico feliz em saber que consegui transmitir um pouquinho da emoção enorme que fluiu no dia do nascimento do Claudinho.
      Espero que quando chegar sua vez você possa ter o parto que idealiza.
      Beijo

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