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Massive Attack e fotógrafo Giles Duley unem-se em defesa dos refugiados

Texto originalmente publicado pela ONU BR — Após visitar campos de refugiados com a agência da ONU para o tema (ACNUR), o fotógrafo britânico Giles Duley apresentou seu trabalho nos shows da banda britânica de trip hop Massive Attack, como uma forma de manifestar apoio às pessoas que se deslocam fugindo de conflitos e perseguições.

Leia abaixo o depoimento do fotógrafo sobre a ação com a banda:

As histórias só ganham poder quando as pessoas escutam. Como fotógrafo, tirar fotos é somente parte do meu trabalho — eu também preciso garantir que as pessoas vejam as imagens. E isso nunca pareceu mais importante do que na cobertura da crise dos refugiados para a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Nos últimos anos, colaborei com poetas, escritores e músicos, buscando oportunidades de atingir novos públicos e contar histórias de maneira inovadora. O Massive Attack foi uma das bandas com as quais conversei e trabalhei para retratar a crise dos refugiados. Me pareceu uma colaboração perfeita e oportuna.

“Fiquei profundamente tocado com as fotos que ele me enviou”, lembrou Robert Del Naja, do Massive Attack. “O mais chocante é que podemos ver fotos de qualquer época dos últimos 100 anos de crise envolvendo refugiados e guerras. E é terrível que podemos pensar que ‘nada mudou’, e é isso que temos que pensar, porque não é passado. É agora”.

Em setembro, viajei a Bristol (Inglaterra) para ver o resultado da colaboração. Enquanto a chuva caía, sentei ao lado do palco, esperando a última música acabar: “Unfinished Sympathy”. Enquanto tocava, as fotos apareciam atrás da banda — projetadas a nove metros de altura, dominando o palco, em uma tela gigantesca com os dizeres: “estamos nisso juntos”.

Um bom retrato cria empatia, entendimento, um momento de intimidade com um desconhecido. Mas enquanto para a maioria se trata de rostos sem nome, para mim cada um era uma memória do Iraque, da Jordânia e do Líbano. Cada retrato tinha um nome e uma história — Kraymeh, Ranim, Halima, Murad. Eu esperava ter feito justiça em nome deles.

Quando as fotos de Shavgar ficaram prontas, enviei uma delas para sua mãe, Nesrin, no campo de refugiados de Domiz, norte do Iraque. Ela publicou imediatamente no Facebook. “Obrigada por se lembrar de nós”, dizia a legenda.

Naquele momento senti que valia a pena. E isso significa dizer: “estamos nisso juntos. Eu apoio os refugiados”.

Saiba mais sobre o projeto “Legados da Guerra”, de Giles Duley.

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