Ontem, entre as minhas pesquisas por belezas escondidas na Internet, fui surpreendida pela história de John Maloof. Passeando por um mercado de pulgas, John resolveu arrematar uma caixa com, o que ele pensava ser, “registros de arquitetura histórica”. Ao abrir a caixa, se deparou com rolos, câmeras fotográficas, negativos, sensibilidade, emoção e sutilezas já reveladas ou a serem desvendadas. Eram fragmentos da até então desconhecida Vivan Maier.
Não conseguirei encontrar palavras suficientes. As fotografias de Vivian Maier — babá por profissão e fotógrafa por amor — transbordam os cheiros e as emoções das ruas. Escondem olhares, toques, surpresas e casualidades que passariam esquecidas nos segundos de uma vida e nos passos de uma calçada. Imagens que são facilmente lidas em 5 segundos… 4,3,2, opa… e eis que quando você está para fechar a sua leitura, um elemento supresa te salta aos olhos, te abraça, te enlaça, te agarra e te puxa de volta para aquela cena para mais 5 segundos elevados à qüinquagésima potência.
Fotografias com braços, abraços, pernas e trivialidades apaixonantes e surpreendentemente eficientes para te presentear com outros olhos para cotidianizar. Fotografias coloridas, ainda que em preto e branco, pintadas por pinceladas de lágrimas, sorrisos, sujeiras e olhares, pra não dizer mais, inexplicáveis — os das pessoas clicadas e os nossos que lêem tudo isso. Aliás, de nosso tem muito mais: olhares, queixos e impressões embasbacadas.
Vivan Maier, uma Rolleiflex e seus inúmeros autoretratos refletidos nas vitrines da cidade. Uma galeria inspiracional maior que todas que você já pode ter visto na vida desse blog. Tome o tempo que lhe for necessário e, prometo, você vai me agradecer por isso. (Para começar a exibição em tela cheia, basta clicar em uma das miniaturas e movimentar-se com as setinhas. ;) )
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É mesmo, as fotos são inspiradoras.
Adoro fotos que contam a história de uma sociedade. Em particular, adorei a última foto. O contraste do escuro com o vestido branco ficou divino.