41 megapixels pra guardar no bolso.

Rabiscado por Renata Romero em 18/07/2012

Para apresentar seu novo modelo de celular com uma câmera que conta com (apenas) 41 megapixels, a Nokia viralizou a Internet com a saga de Daniel denominada “Perdi meu amor na balada”. A ação, que teve início no último dia 10, durou o tempo necessário para balançar o sentimento dos últimos românticos de plantão. Depois de apenas uma semana, a página e a grande (?) jogada de marketing do “pseudo-Don Juan do século XXI” conquistou, além de mais de 100 mil likes, a raiva de uns e admiração de outros internautas pela rede.



 

O desfecho da história, divulgado ontem (17), foi realizado com ajuda daquilo que é tema constante das nossas discussões: a fotografia. É por meio dela, que o “amigo” de Daniel revela, em pedaço de papel, o telefone de Fernanda, perdido no mesmo em que se conheceram. O reencontro com o famigerado amor à primeira vista é possível graças à tecnologia do celular do colega que fotografou sua noite na mesma balada com a câmera do seu celular — o novo aparelho cuja câmera integrada apresenta o dobro de megapixels de uma Canon 5D Mark II, pra citar um exemplo.

Com tantos recursos, o lançamento da Nokia (Nokia 808 PureView) nos faz questionar sobre a interferência da tecnologia no nosso cotidiano. Ao mesmo tempo que, como é mostrado na campanha, uma excelente câmera pode possibilitar o reencontro com os detalhes mais significativos que movem nossa vida; pode, também, ser uma interferência no espaço do outro, uma invasão em detalhes que não cabe aos olhos de um observador, que não se projetou para aquele fim. A foto do colega de Daniel não foi clicada para ajudar o apaixonado, neste caso, isso apenas aconteceu (segundo a trama) por casualidade somada à tecnologia.

Logo que vi o primeiro vídeo questionei o porquê de utilizar um guardanapo para anotar o número de Fernanda. Estranhei que esse recurso fosse o mais eficaz do que salvar o número na agenda do celular. Mas como a tecnologia também falha não me incomodei tanto com essa “ferramenta retrógrada”. O curioso é que foi exatamente esse recurso que possibilitou o desenrolar da história (e seu consequente rebuliço virtual), assim como os bilhetes amorosos de outrora fizeram o diálogo de muitos casais apaixonados da literatura. Neste sentido, esse recurso é quase uma metáfora em que o guardanapo, personificando o método antigo de conquista, passa seu legado para a tecnologia, representada pelo “celular ultrapotente”.

É bem mais provável que uma boa foto seja aquela que transmita sensações reais, ao contrário daquelas que são clicadas por um mero acaso e a verossimilhança do enredo, contudo, não deve ser o fator principal de análise nestes casos publicitários, assim como a interferência da tecnologia também não pode ser um escudo para que as emoções sejam eternizadas. Aumentar a potência das câmeras não deve reprimir a espontaniedade das nossas ações, mas deve, por outro lado, ser um recurso a mais para ajudar na melhor captação das nossas lembranças.

E se você ficou realmente curioso sobre essa mega câmera cheia de megapixels, vale dar uma olhada na review que a galera do Gizmodo publicou sobre o aparelho neste link.

 


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