“O sortudo dentro de Cartier-Bresson se evidencia já em uma de suas primeiras obras-primas, um instãntaneo de um homem saltando uma poça d’água, que tirou ao posicionar sua câmera no espaço entre as tábuas de uma cerca, atrás da Gare Saint-Lazare, tão cara a Caillebotte e Monet. Se a perfeição gráfica dessa imagem se deve essencialmente a seu olho, se seu ritmo inaudito, a riqueza de detalhes, o jogo dos reflexos e a alquimia das linhas e curvas podem ser creditados à sua intuição, o que dizer do pequeno cartaz ao fundo, no qual uma bailarina parece arremedar o salto do homem em sua corrida acima das águas? Sorte, uma insondável sorte que ele é o primeiro a evocar quando se cansa de dar explicações.”
Detrás de Saint -Lazare, París 1932 © Henri Cartier-Bresson
~Pierre Assouline, em seu livro: Cartier-Bresson, O olhar do século
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