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Índio de Estúdio.

 

Já contei para vocês em outras histórias sobre as aventuras de trabalhar com os relatórios da Sanbra e esta campanha sobre a qual falarei hoje aconteceu num ano onde focamos em artesanato brasileiro. O assunto era muito vasto, mas eu precisava escolher apenas 5 temas e trabalhar em cima deles concentrando as atenções para as regiões onde a Sanbra mais atuava. Não haveriam viagens e tudo seria que ser produzido por aqui mesmo e reconstruído em estúdio.

Após estudar as opções, resolvi focar na região central e confesso que estava bastante confortável com a ideia que eu havia escolhido: mostrar uma casa de índio por dentro, destacando o rico artesanato colorido que eles faziam. Depois de ter passado 13 anos da minha vida morando com eles na região do Araguaia e confiando na minha luz como eu confiava, eu saberia que seria fácil recriar o interior daquela oca mesmo com suas variações de luz e sombra. Mas existia também um grande problema: encontrar bons artesanatos.

Para reproduzir uma fogueira — que sempre estava acesa em uma oca para espantar ou o frio ou os mosquitos — eu tinha à minha disposição incensos queimando e me oferecendo uma boa fumaça, porque era o que eu queria mostrar mais até que o fogo. Lembro-me que fui também até o Embu das Artes para conseguir palha que fosse de acordo para a construção da casa e também frequentei algumas lojas especializadas em artesanato indígena para ir aos poucos montando a decoração e todo o esquema da minha oca de estúdio.

Uma das lojas era inclusive de uma amiga minha e se chamava Kaboré (o nome de uma coruja) e a minha sorte foi ter encontrado essa loja com peças tão raras para incrementar na decoração do meu cenário. Fazer os arranjos decorativos me soava bastante falso para ser sincero, afinal os índios nunca deixam suas coisas espalhadas assim como em exposição, mas foi muito agradável montar esse quebra-cabeça para alcançar uma composição que funcionasse fotograficamente. Equilibrar os volumes, combinar as cores e achar um jeito de colocar a luz através da fumaça para realçar todos os detalhes e garantir um toque especial à foto.

Assim foi feito e o resultado final agradou muito a mim e ao cliente! Fotografei a cena com cromo de grande formato e usando uma 4X5 Sinar P. da qual sinto muitas saudades. Photoshop? Não existia e ouso dizer que nem era preciso.

 

 

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“Memórias de Um Fotógrafo” conta os mais de 40 anos de trabalho de Roberto Guglielmo desde o fotojornalismo até a fotografia publicitária. O livro está pronto e à procura de um editor, se você tem interesse em participar desse projeto entre em contato com a gente.

atellie@atelliefotografia.com.br

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