A foto sobre a qual vamos conversar hoje está na mesma linha de pensamento de várias outras que eu já fiz e sobre as quais eu afirmo sem sombra de dúvidas: ‘Quem ficar famoso? Fotografe gente famosa, pois é o canal certeiro.’ Se você faz portraits de gente famosa e decide editar um livro, saiba: é venda na certa…. as suas fotos não precisam apresentar grande qualidade na luz ou no que for (como se a gente aguentasse entregar um trabalho ‘matado’), mas a maioria das pessoas vai mesmo comprar o livro por ter fotos de um famoso adorado.
Quando fiz essa campanha, gosto de dizer, eu estava no auge da fama… tinha feito comerciais com gente famosa como Regina e Lima Duarte, Maitê Proença, e até mesmo aquela do Hulk nos EUA que já contei AQUI para vocês quando comecei a relatar estas minhas Memórias de um Fotógrafo. Embora a chave para este tipo de sucesso seja fotografar pessoas famosas, essa tarefa não é algo fácil de se fazer e, principalmente, de conseguir ter a chance de fazer, mas lhes digo com certeza: o currículo de um bom fotógrafo corre de mão em mão entre essas celebridades. Acreditem, querem saber quem você já fotografou, para aceitarem se vão ser fotografados por você ou não…. como eles dizem em inglês: “Birds with the same feather flying together….”

Esta foi uma foto para uma campanha para a indústria farmacêutica e o Golias seria o garoto propaganda que representaria as doenças. Posso garantir que ele era uma pessoa muito divertida, inteligente e extremamente profissional e deixou muito confortável o menino que posou com ele, um sobrinho muito querido meu (e que hoje já é possivelmente pai) chamado Felipe Formenton.
Fazer esta campanha foi engraçado, pois confesso que nessa época — além de não ter uma iluminação adequada — eu nem entendia muito bem sobre iluminação de estúdio, e vendo esta foto hoje eu só constato (e até me arrepio) em ver como eu não sabia grande coisa mesmo sobre a técnica, mas isso não era o mais importante naquele momento. Logo no início das fotos, percebi que não havia nenhum entrosamento e que o Golias não conseguia se soltar para fazer o que o trabalho pedia. Muito timidamente o procurei reservadamente e disse que a melhor opção seria continuar os cliques no dia seguinte, porque eu não estava conseguindo ver bons resultados e foi quando ele me disse de uma forma que eu me lembro até hoje: ” — O que se passa é que eu não estou brilhante.”
Depois desse momento, o que começou diante dos meus olhos foi um festival de posturas e caretas e logo até mesmo o Felipe (e quem estivesse lá por perto) também entrou no teatro do Golias, o que garantiu um clima danado ao estúdio e à foto! O trabalho foi fotografado com uma Hasselblad 500C formato 6X6, com Objetiva plannar 150mm e filme Ectachrome 120 mm e no fim da tarde, depois do trabalho encerrado, ficamos ouvindo maravilhados às histórias da vida do Golias e aquilo sim era Memórias a se contar!
O que eu queria mesmo era ter ficado com aquele boné e até cheguei a pedir pra ele, mas parecia ser uma espécie de amuleto e ele me contou que estava carregando aquele mesmo boné há não sei quantos anos e então nada feito… fiquei só com as lembranças e estas fotos do que vivemos naquela tarde!
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“Memórias de Um Fotógrafo” conta os mais de 40 anos de trabalho de Roberto Guglielmo desde o fotojornalismo até a fotografia publicitária. O livro está pronto e à procura de um editor, se você tem interesse em participar desse projeto entre em contato com a gente.
atellie@atelliefotografia.com.br
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Não vou negar. Assim que vi a foto abri um sorriso. Adorava assitir o Golias na TV.