Não brinque com o Humor.

Rabiscado por Roberto Guglielmo em 22/03/2012

Não são raros os exemplos de fotos que mostro aqui no Atelliê Fotografia nas quais as agências me deixavam encarregado da criação. Naquela época, os layouts eram todos desenhados, pois não trabalhávamos com computadores (que nem sequer existiam) e tudo era feito de forma muito artesanal. No capítulo de hoje das nossas Memórias de um Fotógrafo, vou contar exatamente sobre uma dessas situações.

É engraçado como a nossa caminhada pela fotografia é recheada por fases, não é mesmo? Eu vivi períodos de ser um fotógrafo de moda, depois um fotógrafo de lingerie, meses trabalhando como fotógrafo industrial, fotógrafo gastronômico e outras inúmeras variações, mas a imagem de hoje é do período que eu fotografava muito para as indústrias farmacêuticas.

O trabalho era para um medicamento para ajudar a combater a irritabilidade e o estresse, até mesmo em crianças e, como sempre, o primeiro trabalho era de conseguir um modelo expressivo para representar que estava irritado. Após ter selecionado o menino, que quase sempre era escolhido via agência de modelos, comecei a pensar no clima da foto: ela deveria apresentar uma iluminação dramática e, jamais, num fundo branco. Bolei um esquema de luz fazendo um degradê para a foto, fiz uns testes um dia antes e revelei o filme para checar o resultado: exatamente aquilo que eu queria!

Escolhida a roupa dele, achei por bem colocar um brinquedo quebrado ali por perto para enriquecer a composição. Eu era um colecionador de carrinhos naquela época e então decidi desmontar um carrinho especialmente querido de formula 1 para parecer quebrado e, hoje me lembro rindo do que aconteceu, não sei o que deu no garoto que ficou curioso e quando eu vi lá estava meu carrinho quebrado de verdade.

Consigo me divertir com essa situação hoje, anos depois, porque no dia eu me lembro o quanto fiquei chateado, mas logo percebi que este era o momento que faltava para que a minha foto expressasse exatamente o que o cliente havia pedido. O resultado é este que vocês conferem aqui embaixo: uma foto bem boa e natural. Além disso naquele dia eu aprendera definitivamente a fazer um fundo especial com luz!

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“Memórias de Um Fotógrafo” conta os mais de 40 anos de trabalho de Roberto Guglielmo desde o fotojornalismo até a fotografia publicitária. O livro está pronto e à procura de um editor, se você tem interesse em participar desse projeto entre em contato com a gente.

atelliefotografia@gmail.com.br

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