Sobre a era espacial.

Rabiscado por Roberto Guglielmo em 02/06/2011

 

Nos anos 80 só se falava em satélites, espaço, Sputnik e então a propaganda também foi voltada para estes temas inter planetários. Como não havia Photoshop naquela época quem soubesse fazer qualquer tipo de mágica quando o assunto era fotografia acabava levando o trabalho, o que pra mim foi sorte: eu tinha passado uma temporada em NY e aprendido uma série de truques que me ajudavam a fazer uma foto paracer muito difícil.

Nesta época os diretores de arte não sabiam ao certo o que seria ou não possível fazer e tudo era um desafio. O pessoal da Núcleo de Propaganda, me apresentou o trabalho: Fotografar os 3 sacos de farinhas com as marcas da Santista (eles tinham nomes que até coincidiam com o tema espacial) flutuando no ‘espaço’ em órbita com um céu estrelado ao fundo.

Ok. Bolei todo um lay out para o projeto. Eu sabia que teria que utilizar uma 4X5 para colocar foco nos sacos e fazer múltiplas exposições em função do fundo de céu estrelado. Os sacos seriam iluminados com flash e o céu seria uma foto em slide que eu já havia feito de um livro de astronomia: cromo projetado, ou seja, eu usaria seria luz incandescente e ela teria que ser filtrada. Uma coisa era certa: Não daria para fazer as duas ao mesmo tempo ou na mesma exposição. Uma seria iluminada com flash (day light) e a outra com luz contínua (incandescente) em tom quente e muito fraca, pois seria a luz de um projetor de slides e para esta seria necessária uma exposição longa.Parece mais complicado do que foi afinal era tudo uma questão matemática!

Antes de posicionar a foto do céu noturno com muitas estrelas, foi preciso preparar o mock-up, modelo com proporções e fabricação diferente feitos por pessoas especializadas. Tudo pronto e dei um jeito de unir os três sacos de farinha, mock-ups recheados com isopor, e pendurá-los com um fio preto bem fino que iria desaparecer com o fundo e era hora de clicar! Todas as luzes apagadas e a cena era iluminada apenas pela luz do projetor, 2 minutos de exposição para a foto do fundo (diafragma 4,5) e… click! logo em seguida, diafragma mais fechado, um pano preto na parede de projeção para a luz do flash não iluminar o fundo e eu conseguir uma imagem esmaecida em mais um… click!

Era só revelar e fazer figa para que saísse tudo bem e, principalmente, para que o cliente gostasse. Enquanto se completava o processo de revelação era preciso torcer para que tudo estivesse ok, foco certo, proporção certa, cores certas e embalagem com cara de saco de farinha… Era preciso também rezar para que o cliente e sua secretária estivessem em uma ‘lua boa’ na hora de aprovar o trabalho. Não me aconteceu nesta agência, mas já tive trabalhos recusados por secretárias (em geral muito charmosas e com opiniões que valiam muito para seus chefes).

Hoje, com algum tratamento de imagem, esta foto seria feita com muita facilidade e teria também muito mais qualidade que esta… mas lembre-se que estamos falando de 1980 e alguma coisa!

 

 

 

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“Memórias de Um Fotógrafo” conta os mais de 40 anos de trabalho de Roberto Guglielmo desde o fotojornalismo até a fotografia publicitária. O livro está pronto e à procura de um editor, se você tem interesse em participar desse projeto entre em contato com a gente.

atellie@atelliefotografia.com.br

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One Comment »

  1. avatar
    cacau 02/06/2011 at 17:07 - Reply

    Muito legal..esse blog, e a reposrtagem com esse magnifico fotógrafo show de bola !
    Parábens , gostei demais do texto !!
    E pensar que o Roberto tirava as fotos na raça, sem qualuqer recurso de photoshop, isso sim pra mim é ser um verdadeiro fotógrafo…!!

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