Já contei antes que eu também já aventurei minhas fotografias no mundo musical? A ideia desta foto sobre a qual vamos conversar hoje, era fazer uma capa de um disco que fazia bastante sucesso naquela época e eu precisava expressar naquelas imagens a separação e a volta de um caminhoneiro para sua mulher. Ao ouvir estas instruções, na minha cabeça tudo já estava encaminhado e eu imaginei uma cena em que o caminhão projetaria uma sombra bem sugestiva na casa da “esposa”.
Primeiro, fiz uma pesquisa de locação e descobri que em Santana do Parnaíba poderíamos usar umas casas bem bonitinhas, mas que teríamos que ter uma luz principal para projetar a sombra desejada na casa. Descobri que eu precisaria usar uma casa em um lugar mais alto onde o sol batesse durante a tarde, e então eu obteria a cena que eu tinha bolado capturando em um ângulo mais baixo.
Uma vez tudo esquematizado, me bastava partir para a execução deste – nada simples – plano. E, para complicar um pouquinho mais as coisas, começou uma ‘novela’ ao tentar convencer o dono da casa a ceder permissão para que eu usasse aquela locação. Aquelas fotos estavam sendo feitas para a Lintas Propaganda, uma agência bem poderosa e bastante conhecida, mas não por aquela gente do interior (desconfiada por natureza, como já sabemos!). Foi preciso separar toda a documentação da agência e fazer duas visitas ao dono carrancudo da casa, até que ele cedesse o uso da fachada.
Resolvido isto, o próximo passo era encontrar um caminhão com uma carga bem marcante, para definir bem a sombra na parede. É claro que hoje seria facílimo encontrar um com a sombra adequada com a ajuda do melhor assistente de todos os tempos: o Photoshop! Mas na época precisei passar dois dias andando pelas redondezas até conseguir um caminhão e um caminhoneiro disponível (este, por sua vez, era de lá mesmo e adorou a ideia logo de cara, pois era um fã da cantora e de suas músicas e se sentiu muito honrado em colaborar para um disco que falava sobre caminhoneiros!)
Arranjar os modelos foi mole, afinal, era muito mais gostoso de trabalhar naquela época quando as verbas rolavam soltas. Produzimos as roupas adequadas, esperamos por um fim de tarde ensolarado e: mãos na masssa!
Para simular a partida de manhã, usei um filtro que esfriava o vermelho do pôr-do-sol, mas não o utilizei para a segunda foto. As fotos foram feitas, como sempre, com uma Hasselblad 6×6 e uma lente 50mm (grande angular) com filme Ektachrome 64 ASA. Embora o resultado tenha ficado muito legal, a capa do CD deixou a desejar… os recursos de impressão daquela época eram muito precários…

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