Estavamos trabalhando em uma campanha para vender um conjunto de apartamentos em uma praia. Tudo que me lembro é que a praia ficava entre Ubatuba e Caraguatatuba e que a ideia almejada pelo diretor de arte era transmitir luxo e sofisticação com aquela propaganda.
Já em locação, acompanhado do diretor e de um assistente que eu tinha na época, fizemos um levantamento fotográfico dos arredores, mostrando a infra-estrutura da região. O prédio seria bem em frente ao mar e era evidente que se destinava à um público de alto poder aquisitivo e representar isso com impacto era a nossa meta.
Bolamos então a produção: fotografar um balde com gelo, champanhe e lagosta. No início, bem que tentamos situar esta produção em um dos quartos, mas logo descobrimos que não havia clima nenhum naquelas fotografias… a ideia final foi só uma: ‘bora explorar a praia!’
Colocamos a produção no mar mesmo e simulei com filtros o efeito de um pôr do sol. O dia estava lindo e não haveria a possibilidade de chuva, tudo estava pronto e chique até que o diretor de arte resolve fazer alterações e mudar isto e aquilo.
Eu fotografava o que ele pedia, mas fui notando também que o tempo só passava e a maré estava na enchente. Eu o adverti que de um momento para o outro o mar nos alcançaria e à produção.
Eu usava uma grande angular para simular uma praia mais ampla e variava entre algumas opções de diafragma para garantir aquele efeito de fim de tarde. Mais uma vez, o diretor deu seus palpites sobre o arranjo e me lembro que bastou eu disparar o 5º clique para me dar conta de que uma onda chegava cada vez mais perto.
A próxima coisa que vi depois disso foi um belo ‘chuáááá’ e o mar levando pra longe a nossa produção. Por pouco não levou também a câmera que ainda estava num tripé.
No fim das contas, a foto foi publicada na capa do folheto como vocês podem ver aqui, mas confesso que fiquei muito sentido com o resultado daquela tarde: Eu realmente esperava comer aquela produção e foi muito triste ver o mar estragando tudo com muita água e areia!

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