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Como superar seu medo de clicar estranhos

Artigo originalmente escrito por Carla Coulson, via Petapixel

Caro Fotógrafo,

Esse é um dos motivos fotográficos sobre os quais mais amo ensinar em minhas oficinas, tanto quanto a maioria das pessoas sentem-se desajeitadas abordando gente pelas ruas para fotografá-las. Através de experiência, tentativa e erro, tive o prazer de entender a psicologia em abordar perfeitos estranhos e pedir uma foto deles, e a maravilhosa alegria que recebemos empurrando-nos para fora de nossa zona de conforto.

Quando chegamos numa pessoa e lhe perguntamos se podemos tirar uma foto dela, estamos nos colocando numa situação vulnerável, e muitos de nós nos sentimos desconfortáveis em sentir-nos vulneráveis. Qual o risco que corremos? O risco é recebermos um ‘não’, ficarem rindo de nós, com raiva ou nos enxotando. Essas emoções podem ser devastadoras, então frequentemente as evitamos, vendo pessoas em belas situações que amaríamos clicar, mas sem fazer nada.

Saiba que existe uma chance para um ‘não’, mas também há uma grande chance de vir um ‘sim’. De todos nãos que recebi, ganhei 10 vezes mais sins. Sair de sua zona de conforto chama atenção para nós, e muitos de nós não queremos ser vistos. Preferíamos clicar fotos do pôr-do-sol e paisagens vazias para evitar nos confrontar com fortes emoções ou um possível ‘não’. Decidimos que o risco não vale a pena, porém quando não arriscamos terminamos de mãos abanando.

Uma das maiores coisas a serem dominadas quando se quer clicar com emoção e um componente humano é soltar-se. Soltar-se do que ‘outros podem pensar’ é o primeiro passo em direção à coragem para pisar fora de sua zona de conforto.

Frequentemente estamos focando nossos próprios pensamentos no que outras pessoas podem estar pensando, e isso nos bloqueia a sequer pedir. Então permita-lhes o direito de responder antes que você mesmo sabote a situação com o que pensa que estão para dizer.

A maioria das pessoas sente-se como se estivesse ‘capturando’ quando pedem a um estranho uma pose para foto, mas aprendi que nós também estamos ‘entregando’ frequentemente um presente tão raro que não poderíamos sequer imaginar.

Aqui estão algumas das belas coisas que os estranhos que fotografei me contaram por eu ter pedido para tirar uma foto deles:

  • Lisonjeado por eu ter pedido;
  • Feliz — custavam a acreditar que alguém quisesse uma foto deles;
  • Nunca tiveram uma foto deles antes, então de certa maneira eu estava criando uma história para eles;
  • Ninguém já havia reparado neles antes e os fiz sentirem-se especiais;
  • Fiz seu dia;
  • Dei uma chance de contarem suas histórias;
  • Sentem-se belos;
  • Dei-lhes a chance de parar e conversar ou dançar.

O que o fotógrafo tira disso?

  • Uma grande foto
  • Alegria
  • Conexão humana
  • Uma surpresa
  • Um possível amigo, e por vezes um amigo para toda a vida
  • Encorajamento para a próxima vez
  • Diversão
  • Aprender algo sobre si mesmos

Dos anos que passei colocando-me em uma situação vulnerável aprendi que, em 95% do tempo quando saio de minha zona de conforto, sou premiado não apenas com uma bela foto, mas também com uma conexão humana. O melhor presente de todos.

Estar vulnerável é viver sua vida com sinceridade, e quando você vive sinceramente sua vida, ela lhe recompensa, e acho que esse tem sido um dos segredos para minha felicidade e meu sucesso. Me dispus a arriscar-me na vulnerabilidade um dia atrás do outro.

Tirar ótimas fotos emocionais é sair de sua cabeça (lado direito do cérebro), seu lado prático e analítico, e entrar em seu coração (lado esquerdo). É abrir seu coração, deixando suas habilidades técnicas para trás para reagir apenas com seu instinto, sua intuição e seu coração quando o momento surge. Você não precisará mais pensar, só precisará sentir e clicar.

“Só aqueles que se arriscarem demais poderão descobrir quão longe podem ir” — T.S. Eliot

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Um Comentário

  1. A atelliê fotografia com temas sempre tão interessantes. Sinto vontade de abrir quase todos os posts. Obrigada por partilharem tantas coisas que nos inspiram e nos respondem a muitas questões que intimamente nos perguntamos.

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