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12 maneiras (efetivas) de encontrar inspiração fotográfica

Foto: Conrado Tramontini

Foto: Conrado Tramontini

A falta de inspiração é um dos piores inimigos de qualquer fotógrafo, porque costuma ser o prenúncio do abandono da câmera em algum canto. É como o escritor que detém-se por horas e horas frente a uma página em branco, como o pintor travado ante uma tela em branco, ou o escultor diante de massa disforme à qual não sabe como dar-lhe forma. A frustração que dá origem à falta de inspiração é, a qualquer um que goste de expressar-se de forma mais ou menos artística, um peixe perigoso que morde a isca. A falta de inspiração leva-nos finalmente ao abandono, e o abandono faz com que a inspiração estanque indefinidamente. Porque, ainda que não lhe pareça, a inspiração alimenta-se, e se não se lhe dá algo para ‘comer’, morre de inanição.

Agora, bem, resumindo: é como quando você está triste e lhe dizem para alegrar-se, como se você não tivesse vontade alguma de estar alegre. Só que às vezes não é tão fácil como pronunciar umas palavras mágicas. Às vezes requer alguma ação para mudar o momento presente. Com a inspiração ocorre o mesmo: temos que cuidar dela, trabalhá-la e buscá-la quando decide ausentar-se. Pode ser que você esteja neste momento frustrante, que o tenha vivido, ou que tenha a sorte de (ainda) não perceber-se em meio a isso. Seja como for, te recomendo que dê uma olhada nas seguintes maneiras de encontrar inspiração que vou propor-lhe. Pode ser que um dia (ou hoje mesmo) possa fazer uso de alguma delas e te ajude a sair do terrível e improdutivo poço sem musas que é a falta de inspiração.

1. Visite exposições fotográficas

Lhe parece chato? Acha que não inspira? Procure um fotógrafo que você goste, ou um tema que lhe fascine, faça um evento com ele, desfrute da exposição, deixe que a magia das imagens que está vendo lhe cative. Pegue ideias, modifique-as, melhore, copie, abra bem a mente, respire fundo e absorva tudo que possa das imagens desse alguém que, quando as produziu, estava cheio de inspiração. Acredite em mim, funciona. E quanto mais você mergulha, quanto mais exposições você vê, mais funciona. É como ler e escrever: você pode aprender toda a gramática do mundo, ano a ano, mas aprende-se de verdade um idioma quando se está exposto a ele constantemente, quando você o escuta, lê e escreve. Chamam de imersão linguística. Eu aplico à fotografia e chamo de imersão fotográfica.

2. Filmes e/ou documentários relacionados a fotografia

Se você gosta de fotografia, imagino que não deve ficar muito distante de seu primo-irmão, o cinema. E geralmente poucas coisas que o superam na fusão de dois hobbies em um de forma tão cômoda: sofá, pipoca e inspiração pura através de sua televisão.

Que contribuição podem dar os documentários sobre outros fotógrafos? Te digo qual é para mim: eles ensinam-me que meus referenciais são humanos. Ensinam-me mostrando que para chegar onde chegaram tiveram que cair umas tantas vezes e trabalhar muito, muito duro. Ensinam-me como tiveram que superar seus medos, como lutaram (e lutam) contra a adversidade, e até contra a falta de inspiração. Ensinam-me ou me inspiram ao mostrar-me como falam de si próprios, como pensam, como falam de sua obra, e tudo isso sem que eu me mova do sofá.

Aqui deixo-lhes uma pequena lista de documentários que podem ajudar-lhe a buscar alguma inspiração:

  • O sal da Terra (The salt of the Earth)
  • A fotografia oculta de Vivian Maier (Finding Vivian Maier)
  • An American Journey: In Robert Frank’s Footsteps
  • Frame by Frame
  • Repórteres de Guerra (The Bang Bang Club)
  • Fotógrafo de Guerra (War Photographer)
  • Guest of Cindy Sherman

3. Conferências fotográficas

Outra forma conseguir inspiração através das vivências e experiência de outros fotógrafos é inscrever-se numa palestra ou conferência. Ali não apenas escutará passivamente, como também, na maioria delas, poderá perguntar ou conversar com o/a conferencista, e assim como nos documentários, se dará conta, ainda mais, de que eles são tão humanos quanto você ou como eu, de que sentiram-se tão perdidos em muitas ocasiões como pode você estar agora, e de que perseguir um sonho com paixão, finalmente compensa. Faz algum tempo desde a última conferência à qual tive a sorte de assistir, e nela escutar nada menos que uma de minhas fotógrafas contemporâneas preferidas: Cristina García Rodero. Apesar disso ter algum tempo, muitas de suas palavras ainda ressoam em minha cabeça, muitas de suas experiências e muitas de suas explicações e vivências agora também formam parte de mim.

Relembre as Coberturas de eventos de fotografias realizadas pelo Atelliê neste link.

Foto: Luciano Dias

Foto: Luciano Dias

4. Compartilhe seu passatempo com alguém

A fotografia é muito solitária, e nós fotógrafos, ainda que possamos ser tolerados por nossos queridos, somos incompreendidos. Ponte aqui, ponte acolá, deixe-me dar um clique daquela pétala ali, espera, vi uma lata de refresco que reflete o céu, uma bola de gude que me serve como olho-de-peixe. Um momento aqui, um momento ali, nos toleram, sim, mas só isso, e como sabemos que somos uns pesados, muitas vezes deixamos de fazer muitas fotografias, ou fazemos correndo, ou nos dedicamos de corpo e alma até que começamos a ouvir um suspiro aqui, uma bufada acolá… Soa familiar?

Ter alguém com quem compartilhar de vez em quando seu passatempo vale seu preço em ouro. Podes inscrever-te em alguma saída fotográfica, ou alguma associação do tipo, ou algum curso presencial. Nesses ambientes poderá conhecer gente que compartilha seu hobby com a mesma paixão que você, além de compartilhar experiência, ideias e inspiração em altas doses.

Foto: Conrado Tramontini

Foto: Conrado Tramontini

5. Inicie um projeto fotográfico

Não sei se já percebeu, mas a maioria dos fotógrafos profissionais não limitam-se a fazer fotografias ao acaso. A maioria tem um ou vários projetos nos quais trabalham e que são o eixo principal de sua produção fotográfica, afora as fotos que podem produzir de forma mais casual ou diária. Trabalhar em um projeto te permite aprofundar na técnica, na composição e na forma de narrar a história, e é uma forma estupenda de aprender e ser perseverante — assim que busque um tema que lhe interesse e ao qual tenha fácil acesso, e buscar a melhor forma de retratá-lo para mostrá-lo ao mundo. Ainda que muitas vezes o que vemos diariamente nos pareça sem graça ou pouco interessante, pense que, graças à Internet, suas imagens serão vistas em todo o mundo, e o que para você pode ser algo anódino, para uma pessoa de outra parte do mundo pode ser fascinante.

6. Redes sociais

É uma faca de dois gumes, mas, gostemos ou não, é difícil querer dedicar-se à fotografia e não trabalhar alguma dessas vias. Instagram, Flickr, 500px, Pinterest, etc são alguns portais onde você pode registrar-se para compartilhar suas imagens, receber opiniões, comentários, trocar experiências com outros usuários etc. O melhor das redes fotográficas em geral é que são livres, e possuem fotógrafos “bons” e “não tão bons”, conhecidos ou desconhecidos, e todos trabalham sem censura publicando suas imagens de forma desinteressada para que os demais usuários possam inspirar-se e dar uma olhada. Igual a você que, ainda que às vezes não pense assim, pode inspirar muitíssimas pessoas com seu trabalho. Por tudo isso, a Internet é um lugar onde a inspiração, se souber buscá-la, será respirada no ambiente.

7. Viaje sempre que puder

Existem poucas coisas tão inspiradoras quanto trocar a paisagem que vemos através da objetiva. Novas paisagens, cores, situações e luzes são uma das melhores formas de fazer voltar a fluir a inspiração aos borbotões. Não faz diferença se for ao outro lado do mundo fotografando (ainda que quanto mais diferente a paisagem e o entorno, mais inspiradora ela nos parece), ou se fizer pequenas saídas por perto de sua casa, incluindo simplesmente mudando de bairro ou povoado. Você pode deparar-se com paisagens e pontos de vista completamente distintos.

Making of Annie Leibovitz p/ Moncler

Making of Annie Leibovitz p/ Moncler

8. Procure uma musa

Tem filhos? Mascote? Cônjuge/avó/pai que se deixam fotografar? Pronto, já tem suas musas. Em minha casa tenho a sorte de poder explorar a fundo a criatividade com minhas filhas. Elas me obrigam a pegar constantemente a câmera em passeio, incluindo nos períodos em que, se não fosse por elas, reconheço que a câmera passaria fome.

9. Analise seu trabalho

Lembro-me da ilusão que me fazia ir buscar um rolo de filme revelado que talvez estivesse esperando já há mais de uma semana. Lembro da emoção ao abrir o álbum, olhar as fotos com atenção, com cara de aprovação em algumas, desaprovação em outras. Agora parte dessa magia perdeu-se. Fazemos a foto e em décimos de segundo aparece em nossas telas, e daí podemos repeti-la, se não tivermos gostado, ou reajustar as diferentes configurações se tivermos falhado em algo, e isso sem falar nos programas de edição que nos permitem solucionar muitos desses erros, ou ao menos amenizá-los. Assim que a imagem chega à tela, é comum que, em vez de nos pormos a analisar as imagens, sigamos rápido para a correção desses pequenos ou grandes erros que cometemos ao clicar. Meu conselho é que antes de fazer isso, olhe criticamente sua imagem e veja onde falhou ou como poderia ser melhor. Antes de cortá-la aqui ou ali, seja sincero consigo mesmo e analise seu trabalho de forma crítica. É a única forma de aprender, de melhorar e consequentemente de evoluir. E o aprendizado e a melhora são uma das melhores formas de motivar a inspiração que você pode encontrar.

10. …e o dos demais

Treina-se o olho como qualquer outro músculo. Quanto mais fotos vir, quanto mais analisar o trabalho de outros fotógrafos, mais aprenderá, mais ideias próprias aparecerão, enfim, mais rica será sua bagagem fotográfica e mais armas terá para combater e enfrentar a qualquer situação fotográfica.

11. Selecione suas imagens e pendure-as

Faça uma seleção de suas melhores imagens, pendure-as e quando sentir que lhe falta inspiração, pare diante delas, admire-as e lembre-se de porque você as faz e porque as faz como faz.

Foto: Jorge Sato

Foto: Jorge Sato

12. Persista

A fotografia é, como qualquer outro passatempo: quanto mais você se dedica a ela, mais aprende; e quanto mais aprende, mais fica se motiva; quanto mais fica motivado, mais inspirado está e mais fotos faz. É um ciclo virtuoso sem fim. Assim sendo, se em algum ponto do ciclo você se perder, não se desespere, ocorre a todos em um momento ou outro de nossas vidas. Se você precisa viciar-se novamente, basta retomar o ponto 1 deste artigo e ir descendo até encontrar o sistema ou o conselho que funcione melhor com você, com os matizes que melhor adaptam-se a você e sua forma de realizar as coisas.

Isso é tudo. Espero, como sempre, ter sido útil, e se assim o for, compartilhe com algum amigo necessitado de um empurrão inspirador. Obrigado e até a próxima.

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